
(Por Gabriel Souza – Presidente da Assembleia Legislativa do RS)
Na medida em que a pandemia desacelera graças à vacinação, surge outro problema; a demanda reprimida de consultas médicas e de cirurgias, que foram deixadas de lado para focar no que era urgente. Assim, como o mundo não estava preparado para combater essa doença desconhecida, ainda não sabemos como enfrentar esse gigantesco déficit na saúde.
Mais de um milhão de cirurgias eletivas (agendadas) foram adiadas no Brasil em 2020 (queda de 59,8% em relação a 2019); São 200 mil diagnósticos de câncer represados e queda de 70% no número de cirurgia no RS. Eis exemplos da realidade que nos impõe uma urgência: o planejamento e a organização de uma política pública para conter
Desde o início deste ano, a Assembleia Legislativa tem trabalhado neste sentido, no de entender os principais prejuízos deste período, e procurando saídas para a retomada da vida. Na última semana, apresentamos o levantamento focado nos impactos na saúde: na percepção dos gaúchos, a crise sanitária mostrou e potencializou a fragilidade da estrutura de saúde disponível no SUS no estado.
O relatório também aponta que a população está preocupada com as demandas reprimidas e com o tratamento das sequelas do coronavírus – sejam elas físicas ou mentais.
Como representantes da população, nosso dever participar do processo de superação. Diante disso, e a partir dos números, demandamos ao Governo do Estado a elaboração de um programa para ampliar o atendimento médico e hospitalar para reduzirmos a fila e, com isto, salvarmos vidas.
Sugerimos, inclusive, que o Governo utilize parte dos recursos da privatização da CEEE-T para que seja feito um mutirão na rede hospitalar gaúcha e que, dentro do possível, essa demanda seja zerada até o final do ano.
Acreditamos que esse déficit precisa ser enfrentado rapidamente, assim como o do atraso na educação das crianças e da desigualdade social que se agravou.
Este é um desafio de todos: governantes, parlamentares, sociedade civil e população. Temos que nos unir, do contrário, os efeitos da covid vão continuar atuando por muito tempo, mesmo depois que a doença for completamente contida através da vacinação em massa.



