
– Só o que importa ao presidente é a reeleição
Alexandre Schwartsman integra o Centro de Debates de Políticas Públicas, onde nasceu o documento em reação às ameaças de Bolsonaro ao sistema eleitoral. Ele também assina o manifesto “Eleições Serão Respeitadas”. A ideia partiu do ex-presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn. Na sexta-feira (6), o número de apoiadores passava de 17 mil.
Ameaça ao processo democrático
“Não tem como fazer vista grossa para quem ameaça o processo democrático. A gente viu isso acontecendo nos Estados Unidos, mas as instituições seguraram o tranco. Outros países tiveram menos sorte: vimos uma deterioração da democracia na Hungria, na Polônia, na Turquia. Isso não é um espantalho, é uma ameaça real e presente”, afirma Schwartsman, em entrevista ao Estadão.
Rumos da economia preocupam
Alexandre Schwartsman foi diretor de assuntos internacionais do Banco Central do Brasil de 2003 a 2006. e sempre foi um crítico do PT. Hoje afirma que, além da integridade democrática, os rumos da economia preocupam. Uma das causas da inflação, é a alta do dólar. Historicamente, quando os preços globais das matérias-primas sobem, como agora, o real se valoriza em relação ao dólar, porque o Brasil é um exportador de commodities. É o que os economistas chamam de “ganhos nos termos de troca”. A publicação é da jornalista Marta Sfredo – de Zero Hora.
Só o que importa ao presidente é a reeleição
Na visão de Schwartsman, falta “sentido de propósito” ao governo. Só o que importa ao presidente, afirma, é a reeleição. Cita a tentativa de deixar os precatórios fora do teto dos gastos, o que tem provocado inquietação nos meios econômicos.
“Só serve para poder gastar mais em programas sociais. Seria bom, mas o objetivo imediato é alavancar a popularidade do presidente. Desculpe, mas não é assim que se faz política econômica”, observa.
O manfesto
Centenas de empresários, economistas, acadêmicos, médicos, diplomatas e representantes da sociedade civil manifestaram confiança na Justiça Eleitoral, no sistema eletrônico de votação e afirmaram que o Brasil terá eleições no ano que vem e que os resultados do pleito serão respeitados.
Quem assina?
O documento é assinado por empresários como Roberto Setubal e Pedro Moreira Salles, copresidentes do conselho de administração do Itaú Unibanco, Luiza Trajano (foto) e Frederico Trajano, acionistas controladores do Magazine Luiza, por economistas como o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan e o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga, por diplomatas como o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Lafer e por representantes da sociedade civil, como Ilona Szabó, do Instituto Igarapé, e Priscila Cruz, do Todos pela Educação.




