
A polícia está atrás de pistas sobre o assassinato de Daiane Griá Sales, encontrada dilacerada perto Reserva da Guarita, em Redentora
A morte de Daiane Griá Sales, 14 anos, é um desafio para a polícia gaúcha. A jovem aingangue foi morta numa região de mata à beira de uma lavoura, perto da maior reserva do Estado, onde vivem 8 mil índios, numa área de 23 mil hectares.
Foi o movimento de urubus sobre a mata que chamou a atenção de um agricultor. Ele encontrou o corpo da jovem, que estava com a parte inferior dilacerada. A identificação foi feita pela mãe, que procurava a garota desde dia 31 de julho.
Daiane saiu de casa num sábado à tarde para encontrar amigos em uma reunião dançante na Vila São João. A música vinha de carros estacionados ao ar livre. Depois dessa festa, ela não retornou para casa. A família demorou a registrar o desaparecimento, achando que ela retornaria em breve.
A causa da morte não foi definida. A perícia concluiu que a parte inferior do corpo de Daiane foi dilacerada por animais, provavelmente urubus. O pescoço apresentava marcas de estrangulamento, mas os peritos não encontraram indícios de fratura. Não havia sinais de cortes provocados por armas ou tiros. Tudo indica que seja um feminicídio.
Não foi possível determinar se houve abuso sexual, embora uma peça íntima estivesse próxima ao corpo. O capim no local estava bastante amassado, o que pode indicar que ela foi obrigada a se deitar.
O cacique caingangue da Guarita, Carlinhos Alfaiate, afirma que “o culpado vai pagar, não importa quem”. A Associação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) publicou uma nota em redes sociais repudiando a violência contra mulheres indígenas e pedindo justiça pela jovem, qualificando a morte como crime bárbaro. (Zero Hora)



