
Famosos pela defesa do presidente, eles começam a se preocupar com o impacto em suas empresas
A frase “Eu me reservo o direito de permanecer em silêncio” foi repetida 71 vezes pelo empresário Carlos Wizard na CPI da Covid há um mês. O bilionário foi à CPI por causa de sua suposta participação no “ministério da saúde paralelo”, que receitava tratamentos sem eficácia contra a doença.
Parte da explicação para isso tem a ver com a queda de popularidade do presidente Bolsonaro. Segundo as últimas pesquisas, 54% dos brasileiros consideram o governo ruim ou péssimo. A desaprovação à sua presidência atinge 63% das pessoas ouvidas. Nesse cenário, o custo de endossar as ideias de Bolsonaro se tornou alto demais para a imagem das empresas envolvidas.
Além da má fase do presidente, há outros fatores que têm levado os empresários bolsonaristas a mudar o foco. Bancos que assessoram Luciano Hang (Lojas Havan) no projeto de abertura de capital da empresa alertam a ele.
Em 2020, mesmo com a pandemia no auge, a Havan calculava que poderia alcançar um valor de mercado de 100 bilhões de reais. Hoje, analistas estimam que chegue, no máximo, a 45 bilhões.
Em situação mais complicada está a rede de restaurantes Madero, de Junior Dursk. O empresário paranaense, famoso por declarar que a covid faria, no máximo, entre “5 mil e 7000 mortos”, é hoje adepto do silêncio em questões político-sanitárias. Afetada pela crise, a rede acumula quase 1 bilhão de reais em dívidas e luta para sobreviver.
(Revista Veja).



