
(por João Lemes) O 7 de Setembro está sendo barulhento? Normal. No Brasil, há anos a gente protesta. O brasileiro adora isso. Lógico, a democracia permite. Eis uma das melhores coisas da democracia. Eu posso sair e fazer o que eu quero – desde que não ataque ninguém, nem invada nada (ou alguém poderia querer invadir minha casa e eu ter que engolir).

Hoje os protestos são pró-governo. Mas o povão mesmo, está em casa, sem forças para sair à rua. Então vemos máquinas pesadas, caminhões, gente com condições de se movimentar. Desde os tempos do PT, para o pobre ir às ruas tinha que ser abaixo de ajuda das centrais sindicais e do próprio PT.

Mas diante de tudo isso, ainda há uma pergunta latente: vai ter golpe? Vão invadir isso e aquilo? Não! Para poder dar um golpe de Estado, o governo precisaria ter mais prestígio, coisa que o nosso presidente vem perdendo dia a dia. Até o nosso Exército, os veteranos sabem que ditadura não tem mais espaço na atual conjuntura mundial.
Logo, esse Sete de Setembro seria uma prova de fogo. Lógico, mesmo que não consiga agora, a ideia sempre vai pairar nas mentes de quem acha que não é livre. Fazer o quê.
A liberdade permite até que se peça pelo próprio fim dela mesma.


Uma vez o grande escritor Millôr Fernandes chegou em uma redação e ouviu do editor: “Aqui nós te daremos toda a liberdade”. De bate pronto, Millôr respondeu: “Isso vocês não podem fazer. Me dar liberdade. Isso eu já tenho. Ninguém pode ganhar aquilo que já tem”.

E viva a liberdade. Que ela siga de asas abertas sobre o nosso Brasil. (fotos: ZH)



