
Motoristas de aplicativo executam suspeitos de assaltos e agora responderão por homicídio
Porto Alegre – Um grupo de motoristas de aplicativo decidiu executar suspeitos de roubar seus veículos. Investigaram, capturaram, espancaram os suspeitos, depois, os encheram de tiros. Sem advogado, sem justiça, em resumo: agiram com o fanatismo dos que se acham injustiçados e ungidos pela ira divina. Mas um dos baleados sobreviveu. E desta vez a Polícia Civil não deixou barato. (O artigo é de Humberto Trezzi – Zero Hora).
“Os policiais ouviram o sobrevivente e foram atrás dos justiceiros. Prenderam dois, estão atrás de outros dois. A polícia agiu com o bom senso que faltou aos motoristas: indiciou quatro deles por homicídio e um, que espancou os rapazes, mas não participou do momento dos tiros, será indiciado apenas por lesões corporais”.
Muitos dirão que os motoristas estão certos e a polícia deveria apoiá-los
“O problema é que o diabo mora nos detalhes. Há certeza de que os jovens pegos são os autores dos roubos? E se forem apenas parecidos com eles? Como repórter, cobri pelo menos três episódios de pessoas condenadas porque estavam no lugar errado e foram confundidas com ladrões. Isso com todo o aparato do Judiciário em funcionamento, com direito ao contraditório, com defensores públicos. Nesse caso dos motoristas, nem foram julgadas, apenas executadas”, escreveu o jornalista Humberto Trezzi em Zero Hora.
“Por último, outra questão: e se bandidos, na dúvida, resolverem executar motoristas durante assaltos? Já aconteceu de uma quadrilha decidir vingar os mortos. É para isso que existe polícia e Justiça, para que a vingança não seja um instrumento cotidiano. Nem dos bons, nem dos maus”, escreveu o jornalista.



