
E os quase prontos podem ficar incompletos para sempre
Com perda na produção de 255 mil carros no Brasil para atender ao mercado doméstico, metade das montadoras do país enfrenta outro problema: podem ficar com carros quase prontos incompletos para sempre, conforme escreveu a jornalista Marta Sfredo, de Zero Hora.
O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, Luiz Carlos Moraes, afirmou que uma mudança de regras no setor, associada à falta de semicondutores que travou a produção, pode provocar a impossibilidade de terminar a montagem de um número indeterminado de carros.
O Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores prevê que, a partir de 1º de janeiro de 2022, não podem mais ser fabricados no Brasil carros classificados como L6. Só serão admitidos os que seguirem as exigências da categoria seguinte, a L7, que impõe limite mais rígido de emissão e permite maior economia de combustível.
Os automóveis produzidos até 31 de dezembro de 2021 podem ser vendidos até 31 de março de 2022, mas é proibido produzir depois do final deste ano. A crise dos semicondutores fez com que muitos veículos estejam quase prontos, esperando apenas módulos ou sistemas que dependem desse fornecimento:
“Em janeiro, não será mais possível produzir L6. Quem ficou sem semicondutores e não terminou até dezembro não poderá mais completar aquele veículo”, disse ele.
O número de carros que podem ficar incompletos para sempre só é conhecido em cada montadora. A tentativa de resolver o impasse passar por aumentar o prazo com o governo federal. Moraes não quis dar detalhes, mas disse que a intenção é obter algum tipo de autorização especial.



