
Os casos de coinfecção simultânea por covid e influenza H3N2 podem parecer novidade, mas existem desde o início da pandemia. O fenômeno, chamado“flurona” costuma ser menos frequente do que a contaminação por apenas um dos vírus, mas deve se tornar mais comum em meio à retomada das atividades, a nova onda de Ômicron e o surto de H3N2 no verão, fora de época.
Registros de flurona são menores por causa da subnotificação de influenza: como os sintomas são semelhantes aos da covid, a rede pública não testa para gripe se o indivíduo apresentar resultado positivo para coronavírus, explica Andrea Dal Bó, médica infectologista no Hospital Virvi Ramos, em Caxias do Sul ao jornal Zero Hora.
“Não é algo novo. Houve, neste ano, muita coinfecção de crianças de covid com outros vírus respiratórios, como vírus sincicial e adenovírus. É importante testar para covid e influenza porque, se a pessoa tem influenza, existe um medicamento, o tamiflu”, observa Dal Bó.
A médica acrescenta que há poucos estudos para averiguar os efeitos da coinfecção em pessoas vacinadas, status da maior parte dos brasileiros.
“Não há como saber, sem exames, quando a infecção é por influenza ou por covid porque os sintomas são os mesmos”, pontua Caroline Deutschendorf, médica infectologista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. A diferença é que, na influenza, crianças também fazem parte do grupo vulnerável, ao contrário da covid.



