
O fluxo é o centro nervoso da cracolândia de São Paulo. Centenas de corpos vagueiam ao redor dos caixotes onde são depositados pratos com pedras de crack. Os olhos dilatados cobiçam.
Nessa feira dos horrores, os dias de alto faturamento têm recompensa. O traficante pega um punhado de crack, joga para cima e grita: “Aleluia de drogas!”. Viciados balbuciam entre si enquanto se engalfinham na imundice do asfalto por um naco das pedras. Até as benesses terminam em briga neste ambiente de exceção, situado num trecho da Alameda Dino Bueno. Os frequentadores do fluxo têm cicatrizes aparentes e as pichações do PCC indicam quem está no topo da cadeia alimentar.
Antes da pedra, os clientes precisam obedecer à facção. Mas a violência não é um fim em si: serve de ferramenta para fazer dinheiro. A lei da cracolândia é o lucro. Noite após noite, o usuário vai beber, cheirar e fumar até cair desmaiado. Acordará na pior das ressacas e com o corpo implorando por água, que só virá se o bolso tiver R$ 0,50 para dar, num copo cheio dela. (por Felipe Pereira – São Paulo)



