
Muitos alunos do interior não puderam retornar devido à falta de transporte
Santiago – A semana foi de retorno às aulas para alunos de todo o Estado, mas nem todos vão ter um reencontro alegre. A falta de investimentos na melhoria de muitas escolas faz com que problemas estruturais estejam cada vez mais difíceis de contornar. E muitos alunos do interior não puderam retornar às salas devido a falta de transporte.
Como houve o encerramento de um contrato nhá poucos dias, o Estado vai iniciar um novo processo licitatório, deixando os estudantes à espera disso acontecer. Por sua vez, os professores ficaram indignados com a promessa não cumprida de reajuste salarial para toda a categoria, incluindo os funcionários de escola. Por causa disso, o CPERs está divulgando uma campanha dizendo que o governador Eduardo Leite mente a respeito de reajustes dados para os educadores.
A jornalista Sandra Siqueira conversou com os professores Leandro Parise e Nara Madruga, presidente e vice do CEPERs de Santiago no programa “A Pauta é”. Como representantes da categoria estadual, eles estão preocupados com as perdas na educação. Tanto na defasagem salarial que se acumula há anos para os professores e que não estão sendo contemplados, quanto com a qualidade do que está sendo proposto como grade curricular para os estudantes do Novo Ensino Médio.
Decepando a educação
Conforme a professora Nara, os professores estão se deparando com a retirada de disciplinas importantes para a formação dos alunos (e que seguem existindo nas escolas privadas) e inserção de outras para as quais os educadores sequer receberam um treinamento para lecionar. Ela acredita que a intenção de algumas disciplinas seja para preparar o aluno para o mercado como força de trabalho, mas não para pensar mais além.
Mais do que vocação, ser professor é uma questão de profissão
Ela considera que o período da pandemia demonstrou a importância do professor e a força de sua presença para o avanço do aluno. Considera que, mais do que vocação, ser professor é questão de profissão. E que a categoria deve ser tratada com mais respeito por sua importância social. “Talvez por isso estejamos enfrentando uma desvalorização da profissão, com os professores sendo deixados em segundo plano, com a falta de diálogo, de estrutura, de salários compatíveis”, pontuou Nara.
O presidente Leandro reforçou a luta do CEPERs em apoiar os educadores e lamentou que o governador esteja virando as coisas, se negando a debater diretamente com a categoria, dando ênfase a ações paliativas, que não resolvem problemas sérios. Em relação aos reajustes não concedidos, Leandro considera que o Governo tem dinheiro para atender a categoria, pois aumentou muito a sua arrecadação com o volume dos impostos inseridos no ICMS, Fundeb, diminuição de 32 milhões de reais da folha de pagamento, com retirada de direitos dos professores, difícil acesso, fechamento de turmas e o retorno da cobrança da previdência, por exemplo.
Luta contra o descaso
“Vamos intensificar a nossa luta, que é pelo bem das escolas, dos professores e pela qualidade do ensino para os alunos. O CEPERs sempre vai lutar contra o descaso à educação pública, que vem acontecendo, inclusive agora no Governo das novas façanhas e de velhas práticas”.



