
Mais de uma tonelada de sucata e ferro-velho foram gastos em um estátua de seis metros, a qual ganhou até um acabamento escuro para evitar a ferrugem. Outros 100 kg de lâminas de aço dão rosto ao presidente Bolsonaro.
A estátua não tem pouso fixo. Desde que veio a público, a obra esteve em manifestações de caminhoneiros, no 7 de Setembro e em uma feira de agronegócio, até chegar à frente do terminal antigo do aeroporto. Ficou nesse local, esperando a chance de ser apresentada ao presidente.

O encontro aconteceu sexta-feira (8), quando Bolsonaro visitou Passo Fundo para inaugurar um novo terminal no aeroporto. Foi um encontro sem público, apenas com o artista que teve a ideia da obra, Volnei Dal’Maso, 55 anos, e alguns apoiadores.

“Ele ficou emocionado com a estátua. A gente disse do que ela foi feita, ele olhou toda ela, deu a volta, tirou fotos, quis saber do artista também. A gente disse que o autor não quer aparecer porque foi ameaçado e ele se emocionou também por causa disso”, conta Dal’Maso, agrônomo e vice-presidente do Sindicato Rural. A obra virou notícia nacional e meme nas redes em 2021, mas Dal’Maso, que diz que as “ofensas maldosas” sobre ela não atingem seu grupo.
A história
Quando passou por uma oficina, ele viu a figura de um guerreiro de sucata e decidiu pedir algo parecido em homenagem a Bolsonaro. A estátua do presidente tem nas costas um escudo e uma espada e usa uma espécie de capacete. O artista responsável, Jorge Luiz Grigolo, que se identifica como bolsonarista, trabalhou dois anos na obra e estima um valor de 40 mil, caso fosse comercializada.
Desde que a estátua ganhou fama, ele diz que vem sofrendo ataques e recebeu até ameaças de morte, por isso prefere não dar entrevistas. Um financiamento virtual chegou a ser criado tentando levantar R$ 10 mil para pagar pela obra, mas não decolou. Grigolo diz que recebeu ajuda de custo com materiais, mas nada pelo trabalho.
A jornada da estátua
O paradeiro da estátua abriu uma discussão com população de 206 mil habitantes, onde Bolsonaro obteve 63,2% dos votos. O procurador-geral municipal, Adolfo de Freitas, explica que, para ser colocada em um local público, a estátua precisaria de autorização ou uma lei específica.
O Ministério da Infraestrutura, que responde pelo aeroporto onde se encontra agora a estátua, afirmou que os responsáveis foram contatados e a obra seria retirada do local. Ela pode seguir agora a Erechim, a 80 km de Passo Fundo. (UOL – Fernanda Canofre – Colaboração para o TAB, de Passo Fundo)



