
Deputados e senadores enviam dinheiro diretamente para o caixa das prefeituras, que podem gastar onde bem entenderem, sem prestação de contas
Mesmo sem energia elétrica, saneamento básico, asfalto ou posto de saúde, pequenas cidades investiram milhões em shows de cantores, a maioria deles sertanejos.
A cidade de Mar Vermelho, Alagoas, está entre os 100 municípios de menor renda. Seus 3.474 habitantes enfrentam falta de saneamento, de pavimentação, moradia (9% da população estava empregada em 2019).
Ainda assim, o prefeito André Almeida (MDB) gastou 370 mil com Luan Santana. É como se cada morador tivesse de desembolsar R$ 106 com o cachê. A apresentação será em agosto, a dois meses das eleições.
Casos como esse se proliferam pelo interior do país, onde inexistem políticas públicas. Levantamento do Estadão mostra gastos superiores a R$ 14 milhões com cachês de Gusttavo Lima, Zé Neto e Cristiano, Wesley Safadão, Luan Santana e Leonardo em 48 cidades. Os artistas foram contratados por prefeituras.
A festança só foi possível com a ajuda de Brasília: as cidades que contrataram os shows receberam R$ 28 milhões em emendas parlamentares de uso livre. São as chamadas “emendas Pix”. O dinheiro cai direto na conta da prefeitura e nem mesmo os vereadores sabem ao certo quanto será gasto com os shows. Parte dos municípios nem sequer publicou os contratos. Dos 48 shows bancados com verba pública, o Estadão conseguiu rastrear os cachês em 35 deles.



