
Na contramão dos padrões enraizados na cultura, configurações com três, quatro ou mais pessoas (afetiva e sexualmente envolvidas) vêm ganhando mais do que espaço e visibilidade social.
E não é que a realidade tenha mudado de uma hora para a outra ou derrubado magicamente alguns paradigmas consolidados há centenas de anos. Pelo contrário. Segundo o psicólogo e terapeuta de casais Filipe Starling, a maior contribuição para a quebra de tabus vem das redes sociais, ao validar a troca de ideias sobre novas possibilidades de comportamento. (F: Zero Hora)
Soma-se a isso o fato de celebridades, como os atores Fernanda Nobre e Will Smith, terem assumido relações não monogâmicas, motivando mais gente a se abrir à experiência. Podemos acrescentar, ainda, as histórias de trisais (casais de três pessoas) que ganham frequência na mídia, em busca de acesso a direitos de família. Os perfis não convencionais, contudo, não são algo tão moderno assim.
“A não monogamia ocorre ao longo de toda a história humana. A questão é que sempre foi debaixo dos panos, de forma não consensual, escondida. Agora estamos tendo a possibilidade de experimentar algo consciente, ético, responsável e cuidadoso”, pontua Starling no nornal Zero Hora.
“As pessoas estão querendo se libertar das amarras culturais que forçam todo mundo a seguir um modelo pré-estabelecido. Existem bilhões de habitantes no mundo, não é possível que um único modelo contemple as necessidades de toda essa diversidade”, argumenta o psicólogo.

Autor do livro Não Monogamia Responsável: Abrindo a Relação com o Cuidado que Ela Merece (2021), o especialista defende que, mesmo não sendo possível afirmar que algumas pessoas são mais ou menos propensas do que outras a se interessar por relações poliafetivas, uma coisa é certa: segurança e liberdade estão entre as necessidades fundamentais de todos.
A afirmação é endossada com veemência pelo casal de empreendedores Geovane de Freitas dos Santos, a Gi, de 47 anos, e Cássio Gonçalves Reis, 44, de Porto Alegre. Juntos há 16 anos, dizem ter descoberto no casamento aberto sua fonte de satisfação, além de aprendizado constante sobre empatia e autoconhecimento.
“A melhor parte é poder ser inteira comigo mesma e verdadeira com quem amo. Não precisar abrir mão de quem sou não tem preço”, conta Gi, que se define como pansexual (quando pode haver interesse ou atração sexual por quem quer que seja, independente do gênero), e acrescenta: “A gente fica com a autoestima mais elevada, e isso melhora tudo na vida, incluindo (e principalmente) o casamento.”



