
Há relatos de uso inadequado do fórceps (equipamento utilizado para forçar a saída do bebê – “ferro”), episiotomia (procedimento cirúrgico que consiste em um corte no períneo da mãe para facilitar a passagem do bebê), além de lesões nos recém-nascidos, como fratura no crânio. Em comum, as mães dizem que não foram consultadas sobre as decisões.

O hospital Victor Lang está sendo alvo de uma denúncia. Os casos tornaram-se públicos a partir da troca de mensagens entre mulheres que foram atendidas. Já são 87 relatos reunidos pelo grupo Coletivo Mães que recolhe formulários de pacientes que queiram contar suas experiências no hospital. As histórias até agora incluem casos deste ano e outros de até 10 anos atrás. A ideia surgiu em conversas entre as mães e a troca de informações pela internet.
É considerado violência obstétrica todo o ato cometido no ciclo da gravidez (pré-natal, durante o parto ou pós-natal) sem o consentimento da mulher, de acordo com Izabella Rios, médica obstetra e ginecologista do hospital Mãe de Deus, de Porto Alegre.
“Não trata-se necessariamente de uma atitude ou gesto físico, pois pode ser psicológica ou um ato de negligência. São ações não cometidas pelas pessoas da família, mas sim por profissionais (médico, enfermeiro, técnicos). Nestes casos, não há consentimento das famílias e não são seguidas as orientações e evidências científicas”, define a médica.
A partir das denúncias reunidas pelo grupo coletivo, o MP instaurou processo administrativo. Trata-se de uma consulta aos órgãos fiscalizadores da entidade para saber se os procedimentos do hospital estão seguindo os protocolos corretos e para identificar se houve falhas. (Zero Hora)



