
A violência moral e psicológica machuca mais que a física
Os crimes de injúria racial ocorrem diariamente, porque ainda que se diga o contrário, a sociedade preconceituosa aceita isso como normal.
Mas, o que causou maior repercussão e indignação foi a decisão judicial que homologou o auto de prisão em flagrante do autor do fato e lhe concedeu liberdade. O Judiciário entendeu que, em razão de não ter havido violência, não ensejaria a prisão, sustentando que tal ato não pode ser usado como antecipação de pena.
No nosso singelo entendimento, tal decisão trouxe consequências que talvez o juízo não tenha questionado e por, consequência, ponderado ao deixar livre o autor do fato.
A injúria racial em que pese não tenha na constituição de seu tipo penal a violência física contra a pessoa, traz uma violência muito maior, uma violência moral, psíquica, que fere mais que um tapa ou um soco. Fere mais do que um corte de faca, cuja ferida cicatriza e some.

A injúria racial, a diminuição da pessoa em função da sua cor ou raça lhe fere tão profundamente que talvez não se apague.
A vítima é vulnerável porque precisa estar se provando perante a sociedade que tenta diminui-la e desrespeitá-la pela cor da pele, pela raça e isso não é segredo para ninguém.
A decisão que concedeu liberdade a uma pessoa com antecedentes, acusações de ameaça, tentativa de homicídio, estelionato e outros delitos traz a sensação de impunidade que tem consequência muito grave; constitui-se no estímulo a novos delitos semelhantes não só por ele como por outros que tem em si arraigado esse sentido repulsivo de valorar as pessoas pela cor, raça, orientação sexual ou religião.
A vítima hoje está a mercê do seu algoz, que se vê amparado pelo Judiciário, inclusive para vir a lhe fazer mais mal ainda. Solidariedade às Mileny!



