Hora do trigo? Especialista em agro avalia o momento

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Paula, Paulo Nicola e João Lemes.

Santiago – Em seu programa “Giro Crítico e Noticioso”, o jornalista João Lemes recebeu o empresário Paulo Nicola, para avaliar o atual cenário econômico, considerando o aumento da área plantada de trigo no Estado. Paulo, que é um especialista em economia, fez questão de ir ao estúdio acompanhado da filha, Paula, recém-chegada da Austrália, onde viveu por anos, estudando. Agora volta para trabalhar nos negócios da família.

O trigo como alternativa

Nicola é empresário e autor de dois livros sobre economia e agronegócios (o valor das vendas foi para o social). Observa que o aumento da área plantada de trigo está sendo vista como alternativa, considerando que o trigo é necessidade mundial. Mas principalmente porque o produtor está sem recurso para lotar pastagens de gado magro ou terneiros antes de fazer o plantio da soja. Também houve incentivo da Farsul para aumentar a produção de grãos no inverno. Porém, ele alerta: é provável que ainda venham geadas e isso pode afetar essa empolgação.

“É muito difícil para o produtor manter uma lucratividade com as secas, como a que houve no início do ano e deixou muita gente descapitalizada”, o que foi um dos motivos para o trigo ser uma alternativa.

Fortunas vieram do trigo

Paulo Nicola lembra que grandes fortunas foram construídas com lavouras de trigo há algumas décadas, e cita o caso do santiaguense Vivaldino Bonotto, que chegou a ser um dos maiores produtores do Brasil.
“Era o início da agricultura. E havia uma necessidade geral em relação ao trigo. Os arrendamentos de terra eram baixíssimos. Se produzia pouco e tinha pouca concorrência. Se a pessoa colhesse 14 sacas por hectare, ganhava dinheiro. Se produzisse só 10 sacas também ganhava dinheiro”, exemplifica, considerando a política agrícola que era forte.
“O trigo hoje depende muito do clima, pois uma geada basta para levar a lavoura a zero. Geralmente, ela dá bem um ano, no outro empata e no terceiro, tu perde”, analisa.

O domínio da soja

Mas o ciclo do trigo se foi e acabou dominado pela soja. Ele explica o porquê disso: “O mundo inteiro planta trigo, mas a soja, não. Depende de um tipo de clima que nós temos. Por isso se expandiu muito mais e segue em crescimento”, avalia.
Paulo explica que a soja é a proteína mais barata do mundo e que o Brasil se tornou o maior exportador do produto. “A China é hoje o maior comprador do Brasil. Inclusive, se cada chinês inventar de aumentar em uma lata o consumo de óleo, não se tem soja no mundo para atender essa demanda”, compara, mostrando porquê ela é tão rentável.

Impostos castigam

Atento ao que acontece no mundo, Paulo ressalta que os produtores já estão conseguindo adquirir fertilizantes, o que acabou se escasseando devido a guerra da Rússia com a Ucrânia, mas a abertura de corredores para escoamento das produções estão funcionando. Ele acredita que o Brasil precisaria investir na mineração e que há matéria-prima abundante em áreas indígenas, mas o Ibama ainda bloqueia. Outros problemas para os produtores se dão com os impostos, preço dos combustíveis e outras questões que castigam o produtor e, consequentemente, o mercado consumidor como um todo.

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