
(Valdo Barcelos) Professor e escritor – UFSM
Prefiro acreditar na ideia de que não existem pessoas criminosas, mas pessoas que cometem crimes, sejam eles do tipo que forem.
Da mesma forma acredito que não existem pessoas mal educadas. O que existem são pessoas que, por algum motivo de foro íntimo, se manifestam de forma muito mal educada.
Com certeza essa pessoa deve estar passando por algum “aperreio” como se diz aqui no Sul. Aperreio que pode ser por medo, por insegurança, sentido de incompetência e de inferioridade, despreparo intelectual e profissional, arrogância, autoritarismo etc.
Se o caso for apenas episódico comumente se resolve com o andar da carroça, assim como a carga de melancias. Mas se começar a se repetir, com muita frequência, aconselha-se a procura de ajuda de um profissional para tratamento.
Assim como são muitas as formas da má educação se manifestar, também, são muitas as formas de percebermos nas pessoas a boa educação. E faz muita diferença nos relacionarmos com pessoas que tem atitudes de boa educação.
Atitudes de boa educação tem efeitos muito pedagógicos. Por exemplo: se chegamos a um local e nos dirigimos a alguém de forma ríspida, grosseira, muito provavelmente seremos recebidos com frieza e sem delicadeza.
De outra forma, se ao chegar dermos um bom dia ou boa tarde, muito provavelmente, a recepção já será de outro tom. Quem quiser verificar que faça um teste.
Já pessoas que praticam atitudes mal educadas não só são muito desagradáveis como causam um mal muito grande para os espaços que frequentam. Atitudes mal educadas fecham portas, atitudes de gentileza abrem portas.
Numa dessas leituras da madrugada e de coisas sem importância – como diz uma amiga minha – me deparei com a história do cumprimento entre pessoas que não se conheçam e que se encontram, por exemplo, em uma comunidade rural.
Quando passam uma pela outra em uma estrada, mesmo nunca tendo se visto antes, elas se cumprimentam. Esse hábito chegou até nós trazido pelos cidadãos africanos sequestrados em suas terras e trazidos para cá como escravos.
Em suas culturas africanas era uma grande ofensa não cumprimentar alguém. Significava não reconhecer a existência dessa pessoa.
Outro exemplo é o aperto de mão. Ele surgiu na Roma Antiga e servia para mostrar – com o gesto da mão aberta estendida – que não havia nenhuma arma ou pedra escondida. Mostrava que queria saudar, mesmo, um desconhecido.
Era uma demonstração de respeito, de gentileza, de reconhecimento do outro. Enfim, um gesto de boa educação. Para finalizar, como gestos de boa educação fazem falta. Como diz outra amiga minha: Nunca é tarde para aprender!



