
Faltarão jovens para sustentar as famílias. Então, caberá aos mais velhos as contas da casa.
Saiba que esses funcionários serão fundamentais no futuro. As empresas e a economia do país lucram com a participação desse público no mercado de trabalho
O cenário preocupa especialistas porque, para além de pressionar a Previdência Social e SUS, marcará uma realidade: faltarão jovens para sustentar as famílias. Então, caberá aos mais velhos as contas da casa. Empresas, por sua vez, terão dificuldade em encontrar profissionais qualificados se não recorrerem aos veteranos. (A reportagem é de Zero Hora).
Força de trabalho “prateada”
Hoje milhares de brasileiros compõem a força de trabalho “prateada”: trabalhadores sêniores, com 50 anos ou mais, que enfrentam dificuldade para se reposicionar profissionalmente (o termo advém de “economia prateada”, que se refere ao consumo e à força de trabalho impulsionados pelo aumento da longevidade). A dificuldade é ainda maior para quem tem menos qualificação formal.
O preconceito com base em estereótipos acerca dos mais velhos tem nome – “etarismo” – e vai contra o Estatuto da Pessoa Idosa (EPI), segundo o qual são vedadas a discriminação e a fixação de limite de idade em ambiente profissional.
Todavia, não é como a realidade se apresenta. Uma pesquisa de junho da consultoria Ernst & Young em 181 empresas brasileiras mostrou que 78% acreditam que as organizações, no geral, são etaristas.
Entre os líderes entrevistados, 50% contrataram menos de 10 pessoas com mais de 50 anos nos últimos cinco anos. Esse tipo de visão, dizem analistas, atrapalhará o Brasil do futuro, cada vez mais velho.
Dos 214 milhões de brasileiros, 15% são idosos
Segundo dados do IBGE, dos 214 milhões de brasileiros, 15% são idosos, ou seja, têm mais de 60 anos. Com o avanço da medicina, a parcela dos mais velhos cresce. Desde 1970, a proporção de pessoas nessa faixa etária triplicou e, desde 2010, avançou quase 50%. Entre todos os brasileiros, 108 milhões trabalham ou estão em busca de emprego. Idosos representam mais de 7 milhões desse contingente, dos quais 78 mil estão em Porto Alegre. E esse grupo deve crescer.

Inversão da pirâmide populacional
Devido ao aumento da expectativa de vida e à redução no número de filhos por família, um fenômeno típico de países ricos se desenha no Brasil: a inversão da pirâmide populacional. Em 2047, o IBGE projeta que o país terá mais idosos do que crianças. E, até 2060, a cada três brasileiros, um terá mais de 60, segundo estima o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
O mercado ainda não valoriza os mais velhos
O problema é que, hoje, o mercado ainda não valoriza profissionais mais velhos. Atualmente, 63% das pessoas com 45 anos ou mais estão desempregadas há mais de um ano, ante 36% dos indivíduos de 18 a 34 anos, segundo estudo de julho do ano passado da ONG Generation.
Quando o currículo atrapalha
Para funcionários com alto nível de educação, entretanto, o desemprego bate à porta sob o frequente argumento do salário alto demais – ao longo dos anos, empresas extinguiram benefícios como biênios e quinquênios, que incrementavam rendimentos.

É preciso rever expectativa salarial
Profissionais bem qualificados precisam rever expectativas salariais. Foi o que fez o gerente de planejamento Bernardo Fuerstenau, 50 anos. Morador de Porto Alegre, ele trabalhou em apenas duas empresas em 25 anos de carreira. Em janeiro deste ano, foi demitido em meio a uma reestruturação interna, mas a companhia pagou para ele um serviço de realocação na recrutadora Produtive. A iniciativa deu certo e ele trabalha em uma empresa do setor automotivo. Empolgado e cheio de energia, ele reconhece que não voltou ao nível salarial anterior, mas prevê crescimento.
Como é lá fora?
O Japão, um dos países mais velhos do mundo, já se deu conta disso. Uma lei oferece benefícios às empresas que mantêm idosos em seus quadros. Em 2020, 71% das pessoas de 60 a 64 anos trabalhavam. Uma iniciativa comum das empresas é aumentar a idade para aposentadoria compulsória.
O que empresas esperam dos 50+
Ampla experiência de trabalho; Humildade para seguir aprendendo; Vontade de compartilhar experiências; Abertura à diversidade e disposição para combater preconceitos, inclusive próprios; Capacidade de conviver com colegas e chefes mais jovens. Manejo de ferramentas tecnológicas básicas.
Por que empresas querem os 50+
Necessidade de profissionais altamente capacitados; Perfil de alta resistência; pressão e resiliência a adversidades; Aumentar a diversidade das equipes; Refletir dentro da empresa desejos dos consumidores mais velhos; Reduzir rotatividade de funcionários; Promover trocas intergeracionais.
Dicas para conseguir emprego
Busque vagas no LinkedIn e explique funções e resultados alcançados em cada emprego; Procure ex-colegas de trabalho. Se você não se mostrar, ninguém vai indicá-lo para uma vaga; Faça cursos de reciclagem (Há possibilidades gratuitas pela internet em universidades conceituadas e no Sebrae)
Empreender é uma opção. Você pode montar uma empresa para treinar ou gerir funcionários da área; Atuar como consultor(a) é uma possibilidade para quem exerceu, ao longo da vida, funções altamente especializadas; Cogite uma especialização em uma das funções do antigo trabalho. Se você era faxineira, foque na arte de cozinhar ou passar roupas para uma família.



