Há um mês, um grupo de apoiadores do presidente Bolsonaro deixou suas casas para viver uma rotina insólita. Desde o resultado do segundo turno, eles moram em frente a quartéis militares de diversos cantos do país, comem em bandejões improvisados, dormem dentro de barracas, tomam sol e chuva enquanto gritam palavras de ordem. Ainda não há um líder desse movimento nem se sabe quem financia toda a estrutura – e sequer a pauta dos manifestantes está bem definida. Mas uma coisa é certa: ao pedir “socorro” às Forças Armadas – ou, mais claramente, um golpe -, o grupo espera que as tropas intervenham e impeçam a posse de Lula na Presidência da República, marcada para 1º de janeiro.
Do lado de dentro dos quartéis, militares de alta patente, mesmo os aliados a Bolsonaro, têm evitado qualquer tom alarmista. Ao contrário. Rejeitando o pleiteado golpe, eles já enviaram recados à equipe de transição do governo Lula que, apesar do desconforto em bater continência ao petista, não haverá nenhum tipo de insubordinação. Um contragolpe bem-vindo e que, portanto, trouxe alívio. REVISTA VEJA.



