
Milena tem apenas 11 anos e pesa mais de 200 quilos, consequência de uma compulsão alimentar que começou cedo. Essa reportagem foi exibida pelo Fantástico, domingo (18), na TV Glovo.
“Ela já nasceu procurando mamar. Ela não saciava, ela podia ficar o dia inteiro no seio mamando. Ela sempre chorava que queria mais”, conta a mãe, Evelise Nos.
Na fase mais crítica, ela chegou a pesar 242 quilos.
“Eu sentia que no caminhar ela já passava mal. Aí eu conversei com o médico. O médico suspendeu, disse que seria até perigoso ela vir sofrer um infarto”, relata a mãe.
Por causa das dificuldades físicas – e também do bullying -, ela teve de sair da escola e se refugiou em casa. Lá, a despensa ficava em um quarto trancado para dificultar o acesso.
“Nunca entrou bolacha, chocolate, bolo dentro da minha casa. Tudo isso que criança come, nunca entrou na minha casa. É sempre fruta, fruta e iogurte. Eu não sei o que que é ser saciada, sabe?”, diz Milena.
Por anos, os pais buscaram respostas em vão e depois de passar por vários tratamentos e dietas sem sucesso, Milena foi encaminhada para um especialista em doenças raras. O diagnóstico explicou por que ela comia sem parar. Milena é portadora de uma mutação genética que interfere no mecanismo de fome e saciedade.
Como a mutação genética não tem tratamento, os médicos recomendaram uma cirurgia bariátrica para redução do estômago. O objetivo era diminuir riscos relacionados à super obesidade. Mas o SUS só prevê a realização desse procedimento para adolescentes acima dos 16 anos. Por isso, a família precisou buscar a Justiça. A decisão favorável saiu em setembro.
“O juiz viu que a Milena estaria correndo mais riscos sem o procedimento do que com o procedimento”, afirma a mãe.



