Milagres se manifestam na simplicidade, e isso é um barato, bicho!
(Luana Diello – Santiago – escritora, mestra em reiki.)

Quando estou em processo criativo, gosto de pegar o ônibus. Coloco meus óculos escurão, pego os fones, um saião colorido e anoto no celular tudo o que as pessoas me oferecem. É tipo uma missão secreta; observo traços, timbres, sonos e sonhos, e nessa viajem fico imaginando suas histórias.
Desta vez, foi diferente. Eu estava prostrada sob minha janela e ouvi um miado. Imediatamente corri e abri a porta, avistando uma gata de rua, prenha.
Ela miava e miava, e eu tentava explicar que maternidade, às vezes assusta, e que apesar da minha aparência humana também, sou uma mãe-gata. Ela podia confiar e se abrir comigo.
O papo estava interessante, quando fomos interrompidas por uma senhora que também ouviu a felina e trazia um pote com ração.
- – Sou a Cláudia, a vizinha do apartamento 4. Vejo que a Floriada gostou de ti.
- – Sou a Luana, do apartamento 1. Curti a gata, mas não posso ficar.
E assim, dispensando a cordialidade do latim, decidimos revezar os cuidados até o nascimento dos filhotes. Após iriam para adoção e nossa bichana seria castrada.
Aos poucos, outros moradores vieram ajudar e tudo aconteceu melhor que o planejado.
Em outra ocasião, Cláudia disse
- Gosto de quem gosta de bicho
E hoje acordei com isso batendo diferente em meu coração, pois no escuro, todos os gatos são pardos, todos estamos de certa forma perdidos e assustados, famintos por cura, empatia, queremos o privilégio de poder bater um papo demostrando nossas vulnerabilidades, sem julgamentos.
Ninguém salva ninguém, mas existem as cláudias com seus potinhos transbordantes de amor que melhoram vidas por esse mundão, com abraços que hospedam acalmando a alma.
Milagres se manifestam na simplicidade, e isso é um barato, bicho!



