Os planos mais importantes dizem respeito a nós mesmos: nossa forma de nos cuidarmos e respeitarmos!

(por Letícia Lima – Psicóloga – CRP 07/21469)
Dezembro, mês de encerramentos! Seja de ciclos, projetos ou até mesmo de fazer reflexões sobre o que deu certo e o que não se conseguiu fazer. Para muitos, o fim de ano significa reencontrar os amigos em longas confraternizações, estar com a família, trocar presentes com pessoas queridas, relembrar momentos passados, celebrar todas as coisas boas, ter uma mesa farta com comidas gostosas e muitas risadas, fazer rituais, para que coisas melhores se concretizem no próximo ano. Para outros, é sinal de mais trabalho, estresse, sobrecarga, cansaço, excesso de compromissos, com exaustão física e mental. É também um momento de relembrar a dor pelas perdas.
Por isso, nem sempre as festas de final de ano representam apenas alegria, podem ser um período de angústia e muita ansiedade, porque é o momento em que muitas pessoas sentem a “obrigação” de serem felizes, quando na realidade não consideram que possuam motivos na vida para isso. São Inundadas de um sentimento de culpa, por não se sentirem felizes como as outras pessoas, achando que existe algo de errado com elas.
Esse é um período que as pessoas esperam ansiosamente e ao mesmo tempo temem. Sentem-se deprimidas, algumas passam por momentos de verdadeiro terror, esperando a hora disso tudo acabar, esperam ansiosamente voltar a rotina normal. Tudo devido à ansiedade e medo sobre o que vai acontecer, pois este é o ponto principal: a frustração de não acontecer nada, não receber amigos, não receber presentes, não se perceber importante para ninguém.
Isso nos faz perceber que com a chegada do final de ano somos tomados por um sentimento de urgência – terminar os projetos iniciados, fazer todas as pequenas coisas que deixamos de lado o ano todo, planejar o próximo ano – e esse sentimento nos deixa desgastados.
No final do ano, é natural acontecer reflexões e uma “certa retrospectiva” sobre as realizações e frustrações tanto do passado quanto em relação aos planos referentes ao ano que vai iniciar. Se essa retrospectiva vier pautada em muitos acontecimentos que não foram realizados pode ocorrer uma série de desapontamentos.
Não ter planos para o ano seguinte é semelhante a não ter futuro, e ficar na mesma situação do ano anterior que também traz sentimentos de ficar “parado no tempo”.
A sensação de estar continuamente iniciando e terminando é intrínseco ao ser humano, mas é natural, desde que cada um vivencie as passagens de acordo com a sua história pessoal. Pessoas que enfrentam ambientes de instabilidade tendem, em situações novas, a viver angústias que podem se manifestar de formas diversas como: pânico, depressão, ansiedade, fobias etc.
Faz parte do imaginário do ser humano acreditar que deve satisfazer o desejo do outro. Isso significa que sentimos uma cobrança interna, que vai avaliar, aprovar, condenar e impor os acontecimentos da vida e quanto mais rígido for essa “cobrança” maior será a autocrítica.
Nesse clima, é natural que as percepções não sejam totalmente claras, e que fique em evidência o que não conseguimos concretizar durante o ano.
Porém é necessário valorizar todas as pequenas conquistas, alegrias e, por que não, tristezas, que nos fizeram repensar a nossa vida e que, muitas vezes, provocaram mudanças significativas.
Muito se fala sobre o próximo ano, as possíveis mudanças, o que o tempo trará, mas pouco se fala sobre o que estamos fazendo com os nossos sentimentos e vivências de agora, desse exato momento.
Fica a reflexão, e o desejo de um feliz e próspero ano que se inicia para todos nós!
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