
Especialistas apontam que isso reflete uma demanda de mercado, mas exige cuidados para evitar a automedicação
Santiago tem 46 farmácias e vai abrir mais. No RS já são quase 6 mil farmácias. Uma nova abre a cada cinco dias no Estado. Esse fenômeno segue tendência nacional de alta procura por medicamentos, com maior proporção de idosos.
Onda de investimentos
Essa alta proporção de farmácias em relação ao tamanho da população — quase 80% além do padrão dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), é acompanhada pela consolidação de um novo perfil do setor, marcado por uma onda de investimentos de grandes redes de varejo, com oferta crescente de produtos e serviços, além de uma disparada nas vendas pela internet.
Acirramento da disputa
Basta circular por qualquer avenida das principais cidades gaúchas para constatar o acirramento da disputa entre as principais marcas. Em Santiago, onde havia casas, padarias, restaurantes, outras lojas e até escritórios, agora se vê um cenário cada vez mais comum: amplas edificações de esquina, com espaço para estacionamento, onde além de remédios se encontra uma quantidade crescente de produtos de beleza e conveniência ou se pode fazer testagens para uma série de doenças e tomar vacinas.
“Acho até estranho tanta farmácia. Mas, se tem, é porque há comprador, né? Pessoalmente, acho bom porque a gente consegue ter opção de preço”, afirma uma empresária.

Duas, três a cada quadra
Nos últimos cinco anos, mesmo em um mercado já saturado, a quantidade de estabelecimentos cresceu 6% no RS de acordo com registros do Conselho Regional de Farmácia. Isso cria situações como em algumas ruas de Santiago, onde se vê duas, três a cada quadra, duas ou três numa esquina…
Santiago e região inauguraram e ampliaram várias farmácias em 2022 e devem seguir nesse ritmo em 2023
Acima dos padrões
O Estado fica acima dos padrões mais comuns de concentração desse tipo de negócio. Os gaúchos têm 50 farmácias ou drogarias para cada grupo de 100 mil habitantes, pouco acima da cifra nacional de 42 estabelecimentos e muito além das taxas vistas nos países da OCDE, a organização que reúne algumas das principais economias do mundo.
O sistema pelo mundo
Existem diferentes explicações para esse quadro. Há países que contam em maior grau com farmácias hospitalares (que têm funcionamento mais restrito e não entram na estatística do varejo) para ofertar medicamentos à população, e outros que permitem ao próprio médico repassar medicações ao paciente, como na Holanda. Já na Dinamarca, que tem o menor índice do levantamento, o mercado é bem mais concentrado: há poucos estabelecimentos, mas muito amplos e vinculados a marcas fortes.
O ramo que mais cresce no mundo tem nova onda de investimentos das grandes redes de varejo privilegia estabelecimentos maiores, com mais produtos e serviços.

Envelhecimento da população
O Brasil tem uma estrutura de distribuição de remédios mais alicerçada nas farmácias de varejo tradicional e passa por um processo de envelhecimento da população. Esse fenômeno é particularmente intenso em solo gaúcho, onde o número de pessoas acima de 60 anos disparou na última década e passou a representar quase um quinto da população. Como países europeus têm um percentual ainda mais elevado de velhos, mas uma densidade menor de estabelecimentos na comparação com gaúchos ou brasileiros, outras razões ajudam a explicar a multiplicação de drogarias nas ruas. Algumas nacionais, outras do RS.
Inverno
O inverno rigoroso e as variações bruscas de temperatura em outras épocas do ano que caracterizam o clima no sul do país favorecem doenças sazonais, a exemplo de problemas respiratórios, e as corridas às prateleiras. Os gaúchos também têm acesso facilitado a serviços de saúde em relação a outras áreas socialmente mais vulneráveis do país, o que gera maior volume de exames, de diagnósticos e, por consequência, de indicações de tratamento.
RS tem alta concentração de farmácias
O levantamento da Saúde em Resumo 2021: Farmacêuticos e Farmácias, produzido pela entidade com uma seleção de 27 países associados, indica que somente a Grécia (88) conta com uma proporção mais elevada do que o RS. A média geral dos filiados ao organismo internacional é de 28 por cem mil. Farmácias (por cem mil habitantes) veja infográfico:




