
“A metade da população brasileira não dorme de fome; a outra metade não dorme de medo de quem está com fome.”
(por João Lemes) Não é segredo para ninguém que eu vendia saquinhos plásticos no açougue quando era criança. A bem da verdade, eu não vendia; trocava por ossos e pelanca. Isso foi lá em Panambi, onde passei os piores momentos da minha vida, cidade de muita produção, de fábricas e de emprego.

Geografia da Fome
Então, lembrei da frase do Hélio Castro: “A metade da população brasileira não dorme de fome; a outra metade não dorme de medo de quem está com fome.” Apesar da data em que foi dita, ela segue valendo. Hoje muitos brasileiros vão ao mercado comprar sobras de alimentos. Não tem como não lembrar da minha infância.

Geografia da Fome é um livro do geógrafo Josué de Castro, de 1946. Nele o autor define o conceito de fome que utilizará em toda a sua obra, além de identificar as áreas de fome endêmica e epidêmica no Brasil. Josué foi contra a corrente do pensamento da época, que atribuía a miséria às condições naturais, climáticas e étnicas. Ele foi pioneiro ao defender a instituição do salário mínimo como garantia de segurança alimentar das famílias. É dele a frase: “A metade da população brasileira não dorme porque tem fome; a outra metade não dorme porque tem medo de quem está com fome.”
Durante o governo Bolsonaro, 700 crianças Yanomamis morreram (mortes evitáveis). Esse povo estava morrendo lá e o garimpo ilegal correndo frouxo. Sei, você que é radical de direita pode pensar que índio não sirva pra nada mesmo. Mas já pensou se fosse um parente seu, ou você nessa situação? Então, se houvesse menos motociatas com dinheiro público, sobraria tempo pra cuidar dos índios. Mas não, o Bolsonarista de raiz acha que tudo é besteira. Lamentável… Pobre ser humano.



