
No ano passado uma jovem foi flagrada com droga em Santiago. Até então não se sabia que substância era. Agora saiu o resultado
A tentativa de descobrir o que eram dois selos escondidos na capa do celular de uma jovem em Santiago, confirmou a presença de uma droga pela primeira vez no Estado. A ALD-52, um alucinógeno muito semelhante ao LSD, faz parte da lista de substâncias proibidas pela Anvisa desde o ano passado. O laudo do Instituto-Geral de Perícias foi emitido por meio de uma parceria com a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. A notícia é do jornal Zero Hora.

No ano passado, o IGP recebeu um pedido de análise pericial enviado pela Polícia Civil de Santiago. O objetivo era descobrir que tipo de substância estava presente em dois selos apreendidos durante abordagem. As duas amostras foram analisadas, nas a pesquisa não conseguiu identificar que tipo de droga era aquela.
“A maioria das nossas amostras é maconha, cocaína e crack. E mesmo as sintéticas a gente já sabe o que esperar, são amostras de rotina, mas apareceu essa diferente”, explica a perita criminal Milena Morsoletto.
Por isso, os peritos recorreram a outro aparelho, chamado espectrômetro de massas de alta resolução, que pertence a UFSCPA. Desde o ano passado, o IGP possui convênio com a universidade para uso dos equipamentos e a troca de conhecimentos.

“O que ele faz é verificar qual o peso desse composto. Ele consegue ver com exatidão esse peso molecular do composto, e é isso que estamos sempre procurando. Por ter essa diferença de massa, consegue fazer a leitura, para identificar se é o composto A ou B”, explica o professor Tiago Franco de Oliveira, biomédico, com doutorado em Toxicologia e Análises Toxicológicas, integrante do Grupo de Pesquisas em Espectrometria de Massas.
A substância é chamada de pró-droga
Assim, foi possível identificar a composição e descobrir que se tratava da ALD-52. A substância é chamada de pró-droga porque só se transforma em LSD depois de ser consumida e metabolizada pelo fígado. Isso faz com que esse alucinógeno demore mais a fazer efeito no organismo, o que também é considerado um risco maior.
“Depois que ingerir, até começar a fazer efeito, tem todo esse processo do corpo transformar. O que pode ser arriscado é a pessoa começar a usar mais. Ela vai ter um efeito prolongado, uma quantidade maior e quando a pessoa está sob efeito de alucinação não se sabe o que pode acontecer. Pode se colocar em risco, colocar terceiros em risco”, alerta a perita Milena.
Jovem flagrada com droga em Santiago
A amostra que resultou na descoberta chegou até a polícia após uma abordagem da Brigada Militar. Em junho do ano passado, os policias suspeitaram de um veículo, após uma manobra brusca da motorista e decidiram pará-lo. Dentro, estava uma jovem de 22 anos, acompanhada de uma adolescente. Segundo o delegado regional Guilherme Antunes, os policiais localizaram no calçado da mulher 17 porções de cocaína.
“Na capa do telefone celular havia dois selos que remetiam a ser uma droga sintética, LSD”, recorda o delegado.
Traficante foi solta
Foi esse material que acabou encaminhado para análise do IGP. No fim de janeiro, a polícia recebeu o laudo, confirmando que aqueles dois pontos se tratam de uma nova substância psicoativa. Ainda na época do flagrante, a polícia representou pela prisão preventiva da suspeita, mas a sua liberdade provisória foi concedida.
Essa apreensão ocorreu há quase nove meses, portanto, pelo menos desde então se sabe que essa droga já estava em circulação no RS. Foi também no ano passado que a ALD-52 foi detectada pela primeira vez no Brasil, em São Paulo, e acabou entrando na lista da Anvisa de substâncias proibidas.
“A pessoa, muitas vezes, acha que está consumindo um produto que ela tem um mínimo controle, uma mínima percepção do efeito. Quando tem uma nova substância, os efeitos podem ser completamente diferentes daquele que são esperados. Essas novas substâncias têm efeitos que não são descritos ainda, pode ter toxicidade de uma droga clássica. Fazer a identificação é fundamental, mas alertar as pessoas para que elas estão consumindo é também”, frisa o professor da UFSCPA.
Laboratórios clandestinos
Essas drogas costumam ser produzidas em laboratórios clandestinos, pelos chamados “químicos de internet”. São pessoas que buscam aprender a produzir as drogas, sem conhecimento técnico, e que podem se equivocar na quantidade de substância adicionada.
Risco de morte
“Isso pode, inclusive, levar à morte. Infelizmente é uma moda entre jovens. Muitas vezes os pais estão em casa, achando que eles estão só curtindo a festa, enquanto eles estão usando essas substâncias. E em alguns casos resultando na morte, não só aqui no Brasil, como no mundo. O LSD é um alucinógeno extremamente forte. Já tivemos relatos de pilotos de avião, que causaram queda de avião, por estar sob uso”, afirma o delegado Carlos Wendt.
Santa Catarina produz em larga escala
Um dos grandes fornecedores de drogas sintéticas é Santa Catarina. Em outubro do ano passado, o Denarc fez uma apreensão em Porto Alegre, onde foi descoberto um laboratório que seria operado por catarinenses, em parceria com criminosos gaúchos.

Investigação de dois meses levou à identificação do local, além de prisões de suspeitos de atuarem com telentrega de drogas sintéticas



