
A vigilância armada costuma ser usada para impedir que pessoas submetidas à escravidão deixem o local. Em um sítio em São José do Herval, ela foi substituída pelo uso de uma tornozeleira.
Uma operação do grupo especial de fiscalização móvel resgatou um homem de 59 anos que atuava como caseiro desde setembro de 2021 na propriedade.
A vítima cumpriu seis anos de pena por um crime em regime fechado e precisava de emprego e endereço fixo para poder ficar o restante do tempo fora da prisão. Fechou um acordo com o dono do sítio, pelo qual receberia 400 reais para atuar como caseiro. Porém, o patrão cobrava aluguel de 500. Com isso, o trabalhador tinha que pagar 100 com os recursos de uma pensão por invalidez que recebe por conta de um olho que perdeu em outro trabalho.
Todas as comunicações com a autoridade carcerária eram feitas pelo empregador, que não fornecia nenhum documento para a vítima a respeito da situação dela.
A vítima dormia em um galpão que era usado tanto para guardar as ferramentas de trabalho quanto como chiqueiro. Durante o período em que esteve lá, acredita ter matado 15 animais nesse espaço perto de sua cama para produzir banha. “Ele morava dentro do chiqueiro”, afirma o defensor público Bruno Arruda.
“A parede que separava o local em que o homem dormia dos porcos era do mesmo material da baia dos porcos. Era como se ele vivesse em uma baia de chiqueiro, mas maior e com piso ao invés de chão de terra batida.” (UOL)



