
Sua história de vida é marcada por uma infância de muitas dificuldades, mas ela não se deixou intimidar pelos desafios.
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santiago festeja 55 e reconduz Lérida Pavanelo à presidência
O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santiago (de Santiago, Unistalda e Capão do Cipó) tem mais de 2 mil associados, e é comandada pela presidente Lérida Pivoto Pavanelo, que está sendo reconduzida ao cargo neste sábado, 18, em festa no Clube da Betânia.
A festa de comemoração dos 55 anos é também uma oportunidade de homenagear associados que estão na instituição desde o início, bem como a primeira mulher a se associar, nos anos 1990. Lérida destaca que é uma honra estar à frente de uma instituição tão importante para a defesa dos trabalhadores rurais e que conta com muitas outras mulheres em sua diretoria.

Trajetória do Sindicato
A trajetória do Sindicato é marcada por muitas lutas em defesa dos trabalhadores rurais e suas famílias. Segundo Lérida, a agricultura familiar ainda não é valorizada como deveria, apesar de ser fundamental para a produção de alimentos. Os agricultores ainda enfrentam desafios com as mudanças climáticas.
Três anos de estiagem
Lérida comenta os três anos de estiagem que tem afetado a produção. Ela lembra que seu pai conta histórias de épocas em que ficavam seis meses sem chuva, mas que ainda assim havia água em rios e sangas. Hoje, porém, os rios e açudes secam rapidamente e é preciso recorrer a cisternas e à captação de água da chuva.
Apesar das dificuldades, Lérida destaca que é importante que cada um faça a sua parte para ajudar a enfrentar os desafios do clima e da produção agrícola. Ela reconhece o trabalho da Prefeitura de Santiago em levar água às famílias do interior, mas lamenta que essa seja uma realidade em mais de 300 municípios.

Onças trigres
Lérida não tem uma formação universitária, mas é uma doutora em se tratando de lutas pelos trabalhadores rurais e seus direitos. Sua história de vida é marcada por uma infância de muitas dificuldades, mas ela não se deixou intimidar pelos desafios.
A vida no “sertão” do Paraguai
Aos nove anos, Lérida e seu irmão foram levados pelos pais para morar em uma propriedade rural no Paraguai, do falecido médico Ruben Lang. Outras famílias que deveriam ter ido, desistiram, e só restou eles quatro, cada um com uma enxada na mão, além de um facão e uma motosserra usada pelo pai para abrir o mato e plantar. Ficaram seis meses morando numa barraca de lona, enfrentando frio, fome, medo e até mesmo tigres e onças que roncavam perto de onde dormiam.
Longe de tudo
Dos nove aos 16 anos, a família morou nesse local, só trabalhando, enfrentando adversidades, falta de comunicação e escassez de tudo. A escola mais próxima ficava a mais de 100 km, e por isso, Lérida e seu irmão ficaram sem estudar.
Mas quando o pai resolveu que bastava de tudo aquilo e vieram embora, aos 16 anos, Lérida se matriculou, muito orgulhosa, na quarta série, retomando onde tinha parado. Seguiu adiante nos estudos e depois completou o ensino fundamental e o médio através do supletivo.
Líder em sua comunidade
Hoje, Lérida é uma líder em sua comunidade, dedicada às lutas pelos direitos dos trabalhadores rurais. Ela desbrava cada demanda que assume, sem se intimidar, mostrando coragem e determinação que aprendeu desde criança. Em entrevista à jornalista Sandra Siqueira, Lérida se emocionou ao contar um pouco de sua história, mostrando que apesar de todas as dificuldades, ela não se deixou abater e seguiu em frente.



