A violência contra a mulher foi tema de debate

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Ana Paula, Débora Poltosi, Angélica Franco e Sandra Siqueira.

96 mulheres pediram medida protetiva em Santiago

Santiago – A jornalista Sandra Siqueira promoveu um debate sobre a violência contra a mulher com a juíza Ana Paula Nichel Santos, a delegada Débora Poltosi e a policial militar Angélica Reizes Franco, integrante da Patrulha Maria da Penha.

Segundo dados apresentados por Sandra, metade das brasileiras já sofreu algum assédio e os casos de violência doméstica ainda são alarmantes. A discussão girou em como o empoderamento feminino pode contribuir para a prevenção dessas situações, e se ainda é necessário mais esforços da polícia e judiciário.

Sem julgamento moral

Juíza Ana Paula – A sociedade ainda falha com as mulheres. Ressaltou a importância da lei Maria da Penha e seus avanços. Destacou que a educação de meninas e meninos é fundamental para combater a desigualdade de gênero, que muitas vezes leva a crimes. Defende que a sociedade precisa se acostumar com a ideia de que homens e mulheres podem ocupar funções por suas competências.
No que diz respeito ao judiciário, a juíza afirmou que o importante é proteger a vítima e não fazer um julgamento moral. Ela apontou que muitas vezes as vítimas estão em relacionamentos tóxicos e abusivos, e que é preciso ajudá-las a sair dessas situações. A juíza ainda alertou para o fato de que muitas vezes os agressores conseguem convencer as vítimas de que vão mudar, mas acabam repetindo o comportamento violento.

A palavra da vítima

Débora Poltosi – A delegada abordou vários sinais de abuso com mulheres antes da agressão, incluindo ciúme excessivo e afastamento dos círculos de amizade e familiar. Embora faltem provas em muitos casos, a palavra da vítima é relevante, e para as medidas protetivas. Lembrou ainda que a Sala das Margaridas em Santiago é especializada no atendimento.
Também destaca que mulheres estão expostas a outros tipos de violência de gênero no trabalho, à violência verbal, psicológica, assédio moral e importunação sexual, além de perseguição. O empoderamento feminino não é suficiente, pois as mulheres muitas vezes não conseguem denunciar ou procurar ajuda, e a justiça precisa agir em rede.

Santiago é única na região a ter Patrulha Maria da Penha

Angélica Franco destaca que Santiago é o único município da região que possui uma Patrulha Maria da Penha. Ela e um colega atuam diariamente no cumprimento das medidas protetivas. Há 96 mulheres em Santiago que solicitaram medida protetiva; menos de 10% recusou o acompanhamento, geralmente porque a vítima acaba se acertando com o agressor. Menciona que existe uma rede de apoio em Santiago, incluindo o Cras, CREAS, Conselho Tutelar, Delegacia da Mulher e Poder Judiciário, mas ressalta que é a vítima quem precisa acionar e fazer valer o seu direito de proteção.

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