Segundo o IBGE, estima-se que no Brasil existam dois milhões de pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista)

Por Sandra Maders (Professora Adjunta Unipampa) e Marina Moreira Cassiano (Presidente da APAA)
“Eram 23h… Meu filho queria a roda do carrinho. Tentei explicar que naquele horário já não havia lojas abertas. Irredutível, insistiu nas rodas que estavam faltando em seu carrinho. Cidade deserta, quase meia noite. Saio com meu filho em busca de um “bolicho” aberto, na esperança de encontrar um carrinho com rodas.
O desespero do meu filho fazia com que me sentisse agoniada, queria aliviar o sofrimento dele e fazê-lo entender que naquela altura da noite, seria quase impossível. As horas passando e o desespero dele aumentando. – “Quero a roda, quero a roda”.
Felizmente, quase no final da cidade, encontro um armazém aberto e o bendito carrinho com rodas. Meu filho se acalma, vamos para a casa e ele, enfim, dorme tranquilamente” (relato de uma mãe com um filho autista). Parece simples, parece banal. Um carrinho com rodas.
Para muitas pessoas é só mais um carrinho, para um autista aquele pode ser o seu mundo. O seu refúgio.
Por isso, você que agora lê esse texto, lembre-se que o mundo é um lugar muito particular e individual para cada um de nós. “Do lado de fora, olhando para dentro, você nunca poderá entendê-lo. Do lado de dentro, olhando para fora, você jamais conseguirá explicá-lo. Isso é autismo. O autismo é parte deste mundo, não um mundo a parte.” (Autism Topics).
Para finalizar, gostaríamos de dizer que os mundos que existem são todos aqueles mundos que criamos ao viver. Todos esses mundos não só são legítimos, como precisam ser respeitados, entendidos e amados.




