Hoje, tudo é na base do cloro, do tratamento ou todo mundo fica com a tal de virose…

(João Lemes) Sou daqueles citadinos que foram criados em casa com uma cozinha de chão batido e dormindo em berço de colchão de estopa ou de palha de milho. A água, ah! Essa vinha de pipa ou pelos meus franzinos braços de criança de seis ou sete anos, segurando dois poronguinhos.
Outra coisa muito tradicional naquela época eram os poços de balde, onde os avós e pais achavam o lençol d’água usando uma forquilha de árvore que carregavam nas mãos. Quando a forquilha apontava para baixo, era só cavar. Era a nossa inteligência artificial de antigamente.
Mas voltando ao bendito poço, bom era quando a manivela escapava; era aquele estrupício… Isso quando não dava na telha do vivente, que ficava tonto por umas duas horas.
O poço também servia como depósito para o tarro de leite para não azedar e, quem sabe, uma boa pinga. O frasco era amarrado pelo pescoço era deixado submerso.
Quando morei em Panambi, não usávamos poço, e sim um olho d’água que ficava no fundo do pátio. Meu velho tio dizia para todos que chegavam que aquilo era uma relíquia. Água mais pura nunca se viu.
Quem ficava meio angustiado era eu, pois a cada visitante ele mandava buscar uma água fresquinha lá no fundo do pátio. Tinha que aproveitar a viagem e já trazer um pouco para os bichos…
Eram outros tempos, outras lidas, outras vivências, sem falar nas águas de açude do rio que bebíamos.
Hoje, tudo é na base do cloro, do tratamento, ou todo mundo fica com a tal de virose… Fazer o quê.”



