Atenda o 190! O número de suicídios entre brigadianos é maior que o de mortes em confrontos

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Apesar de arriscarem suas vidas para proteger a população, não recebem gratidão ou compensações financeiras adequadas.

O jornalista FABRÍCIO CARPINEJAR aborda a falta de reconhecimento e apoio aos policiais da Brigada Militar, destacando a insalubridade psíquica. Apesar de arriscarem suas vidas para proteger a população, não recebem gratidão ou compensações financeiras adequadas.

A falta de capacitação sensível, apoio psicológico e reconhecimento social contribui para a depressão e isolamento desses profissionais, resultando em altas taxas de suicídio dentro da corporação.

A deputada Luciana Genro iniciou uma frente parlamentar para defender os brigadianos e mostrar solidariedade. Conclama a população a expressar seu respeito e agradecimento aos policiais, assim como eles prontamente atendem aos chamados de socorro da população.

VEJA O ARTIGO COMPLETO

(FABRÍCIO CARPINEJAR) Você cumprimenta os homens e mulheres de farda da Brigada Militar quando passa por eles? Ou finge que eles são postes da lei?
Os brigadianos vivem uma insalubridade psíquica. Só são chamados ou notados no perigo, no desespero. Não são vistos no instante solar da gentileza e da cordialidade.
Não obtêm reconhecimento social apesar de colocar a sua própria vida em risco para nos proteger, muito menos têm compensações financeiras por lidar com um submundo perverso.
Eventuais desmandos e truculência abusiva não espelham o todo da corporação.
Os servidores na ativa são exigidos no cumprimento do dever. Parece que tudo o que fazem de bom e correto é obrigação. Não recebem nenhum gesto de gratidão de nossa parte.
Não têm direito a uma capacitação mais sensível e motivacional, com palestras e simpósios, com treinamento e amparo psicológico a familiares, o que poderia elevar o seu ânimo. Suas promoções na carreira apenas aumentam a responsabilidade e sua exposição pública.
Não são acolhidos em vários lugares, especialmente quando respondem a alguma ocorrência.
Têm os dias ocupados integralmente por tarefas inóspitas, antipáticas, de manutenção da ordem. Reviram a lata de lixo da humanidade em meio a gritos, ameaças, tiros e fugas de criminosos.
Não conhecem a paz de um emprego com uma janela, um computador e um porta-retratos. Atividades administrativas, quando surgem, são temporárias.
Como ser otimista enfrentando a violência ininterruptamente, convivendo com o fracasso, com a estupidez, com a transgressão sem trégua?
Não encontram respiro na realidade, intoxicados pelo pior que há no cotidiano.
“É de se esperar que o ostracismo na loucura dos outros, longe da reverência e do aplauso, traga isolamento e depressão.”
Tanto que o suicídio foi a principal causa de mortes de brigadianos em quatro dos últimos cinco anos. O que é um alerta do quanto eles estão precisando do apoio, do conforto e do colo da população.

Por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), a deputada Luciana Genro (PSOL) desencavou essa verdade das sombras urbanas e instaurou a Frente Parlamentar em Defesa dos Brigadianos de Nível Médio.

Dados oficiais revelam que, entre o início de 2018 e o final de fevereiro de 2023, houve o registro de 45 suicídios dentro da corporação, o que representa mais da metade das 89 mortes de policiais militares no período. No mesmo espaço de tempo, quinze policiais militares tombaram em confrontos durante o serviço. Os brigadianos estão morrendo três vezes mais de solidão e desgosto do que em atividade.

Nesta quinta-feira, estarei distribuindo rosas brancas para todo brigadiano que encontrar na rua. Como um símbolo de agradecimento. Para mostrar que cada um deles tem raízes no meu mais profundo respeito.

Assim como já telefonamos tanto para o 190 e fomos prontamente socorridos, agora é a hora de atender a Brigada. O coração da Polícia Militar está nos chamando.

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