
Com o preço da carne nas alturas, ela se contenta quando consegue ganhar algum osso nos açougues ou pegar um peixinho na barragem
Santiago – (Texto, João Lemes – foto: Eder Alves) A vida de dona Ana Ferreira é uma história de luta e sobrevivência. Moradora do humilde bairro Bonato, conhece bem as agruras da pobreza. Mas, em meio a tantas dificuldades, encontra na barragem uma fonte de esperança, um lugar onde a sorte sorri para os mais necessitados.
A reportagem (por meio Eder Alves e Evandro Gasparini) foi lá conferir a nova situação da barragem. E lá estava dona Ana, com sua vara de pescar, lançando a isca na água com a esperança de trazer para casa um pouco de alimento.
Dona Ana sabe que é proibido pescar naquelas águas, mas a necessidade fala mais alto do que qualquer regra. Ela não causa bagunça, não prejudica ninguém. Apenas pesca para suprir suas necessidades básicas.
A pescaria é sua forma de resistência, uma maneira de enfrentar a dura realidade. Mesmo diante das adversidades, dona Ana mantém seu bom humor. Posou para a foto com os peixes que havia pescado, um sorriso sincero estampado no rosto marcado pelo tempo.
A noite chega, e dona Ana, orgulhosa de sua conquista, prepara os peixes com polenta. Um banquete simples, mas que representa muito mais do que apenas comida. É o resultado de sua coragem e determinação. Cada pedaço de peixe servido é uma vitória sobre a fome.
Na mochila, além dos peixes, estão suas companheiras fiéis: umas bergamotas verdes e alguns pães. Dona Ana sabe dar valor às pequenas coisas da vida, encontrar alegria mesmo nos momentos mais difíceis.
A história de dona Ana é apenas uma entre tantas que existem nesse mundo invisível da pobreza. São pessoas simples, batalhadoras, que enfrentam cada dia com coragem e esperança. São exemplos de resiliência e força, que nos ensinam a valorizar o que realmente importa na vida.



