
Três indivíduos ligados a Jair Bolsonaro foram presos nos primeiros cinco meses deste ano, após o ex-presidente deixar o cargo e Lula da Silva assumir como presidente do Brasil.
Anderson Torres, Mauro Cid e Ailton Gonçalves Barros têm em comum o fato de terem participado da administração anterior ou terem proximidade com Bolsonaro, e foram investigados e detidos no âmbito de inquéritos em andamento no Supremo Tribunal Federal, nos quais o ex-presidente é citado ou alvo direto das investigações.
Apenas Anderson Torres foi libertado para responder às acusações em liberdade. Ele foi ministro da Justiça de Bolsonaro e secretário de Segurança Pública do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha.
Torres passou 117 dias preso preventivamente, suspeito de envolvimento em atos antidemocráticos. A Polícia Federal apreendeu uma “minuta do golpe” em sua casa, um documento que poderia ser usado por Bolsonaro para decretar estado de defesa no país.
Mauro Cid e Ailton Gonçalves Barros foram presos preventivamente no âmbito da Operação Venire, acusados de fraudar o sistema de controle vacinal do SUS e colaborar na falsificação dos cartões de vacinação de Bolsonaro e sua filha.


Mauro Cid, que atuava como ajudante de ordens de Bolsonaro, também é investigado por envolvimento em um esquema de trazer joias da Arábia Saudita para o casal presidencial. Ailton Barros, conhecido como “01 de Bolsonaro” na campanha eleitoral, foi expulso do Exército em 2006 e é suspeito de contribuir com a suposta fraude nos cartões de vacinação, além de afirmar saber quem foi o mandante do assassinato de Marielle Franco.
Essas prisões evidenciam que o cerco está se fechando ao redor de Bolsonaro, que enfrenta sete inquéritos na Polícia Federal e é investigado por diversos crimes, incluindo fraude em cartões de vacinação, crimes contra a saúde pública, incitação a atos antidemocráticos e interferência no comando da PF. Há também investigações em outros estados e ações criminais em andamento contra o ex-presidente. O episódio mais próximo de Bolsonaro ocorreu durante a apreensão de seu celular no âmbito da Operação Venire. (Estadão)



