
Um estudo divulgado pelo Instituto Trata Brasil revelou que o RS desperdiça quase metade da água potável tratada antes que ela chegue às torneiras.
A cada 100 litros de água tratada, 41 litros são perdidos devido a vazamentos e não chegam aos consumidores. Esse desperdício diário no estado seria suficiente para abastecer as residências de 2 milhões de pessoas.
A quantidade de água perdida ainda é maior do que a necessária para abastecer os 1 milhão e meio de gaúchos que não têm acesso à água encanada.
As perdas de água no RS são piores do que a média brasileira e de outros estados, como Santa Catarina, Paraná, Bahia e Tocantins.
O problema ocorre devido a defeitos nos canos que atravessam as cidades, incluindo vazamentos e medições incorretas, além do consumo não autorizado de água.
As principais causas de vazamento são o uso de encanamentos antigos e a falta de manutenção por parte das concessionárias responsáveis pelo abastecimento de água.
O alto desperdício de água tratada traz consequências ambientais e financeiras. Uma grande quantidade de água é desperdiçada antes de chegar ao destino, causando danos ambientais, e também resulta em perdas financeiras, uma vez que o dinheiro investido na captação e tratamento da água é desperdiçado. O RS também tem problemas no tratamento de esgoto.
Apesar de ser um estado rico, o desperdício de água no contrasta com a falta de água enfrentada pelos gaúchos devido à estiagem. A situação evidencia a necessidade de investimentos em saneamento básico, tanto na melhoria da gestão de abastecimento de água quanto na coleta e tratamento de esgoto. O novo Marco Legal do Saneamento Básico estabeleceu metas para aumentar o acesso à água tratada e reduzir o desperdício até 2033.
A Corsan, responsável pelo saneamento básico em grande parte do estado, afirma que as perdas de água são de 43%, acima dos 41% apontados no estudo do Instituto Trata Brasil. A Corsan destaca que aumentou seus investimentos, mas ainda precisa de recursos para universalizar o atendimento, o que levou o governo do estado a decidir privatizar a companhia.
No cenário nacional, o Brasil está distante de países ricos e em desenvolvimento em termos de desperdício de água. O desperdício no país piorou nos últimos cinco anos, atingindo uma perda de 40,3% no caminho de distribuição, indicando a falta de investimentos na atualização dos sistemas de encanamento. (GZH)




