
Dois cirurgiões, um em Bagé e outro em Cachoeira do Sul, são suspeitos de cobrar indevidamente pacientes do IPE Saúde. A Polícia fez uma operação para investigar, cumprindo mandados nas clínicas e residências dos médicos. Até o momento, foram identificadas 10 vítimas, algumas confirmaram as cobranças, mas temem represálias, pois os médicos são influentes nas duas cidades. Os seus direitos de atuar na profissão foram suspensos.
Pacientes relataram que suas cirurgias foram condicionadas a pagamentos que variavam de R$ 1 mil a R$ 9 mil, muitas vezes feitos em dinheiro diretamente aos médicos ou na própria clínica. Alegava-se a necessidade de cobrir custos de instrumentos operatórios, anestesia e aluguel da sala de cirurgia.
Durante a operação, foram apreendidos celulares, documentos e computadores, que podem servir como provas. A Polícia afirma que há material abundante que comprova a conduta ilícita, incluindo comprovantes de depósitos bancários. Os médicos podem ser descredenciados do IPE e enfrentar pena de dois a 12 anos de prisão.
O Conselho Regional de Medicina (Cremers) emitiu uma nota, repudiando a prática ilegal e afirmando que buscará medidas cabíveis para investigar os casos.
O Cremers ressalta a falta de uma remuneração adequada pelos serviços prestados, o que pode abrir espaço para tais práticas. O conselho irá convocar uma reunião com o Governo do Estado na tentativa de obter mudanças e valorização dos profissionais para evitar cobranças indevidas.
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