A Polícia Federal conduziu uma operação para investigar um suposto grupo que teria desviado bens destinados a autoridades brasileiras em missões oficiais para o exterior. Um dos principais alvos da operação é o general Mauro César Lourena Cid, pai de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Bolsonaro. A investigação abrange possíveis crimes de peculato e lavagem de dinheiro.
Mauro César Lourena Cid, que é um general do Exército, compartilhou sua formação na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) nos anos 1970 com Bolsonaro. Durante o governo do ex-presidente, ele ocupou um cargo em Miami vinculado à Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), encarregado de negociar joias e outros ativos nos Estados Unidos.
- De acordo com as investigações, o general teria negociado as joias e outros ativos de alto valor, recebidos por representantes do país, incorporando os montantes resultantes em sua conta bancária por meio de intermediários (“laranjas”) e evitando o uso do sistema bancário tradicional para ocultar a origem e propriedade dos fundos.
Além do general, outras três pessoas estão sob investigação: Mauro Cid, tenente do Exército Osmar Crivelatti e o advogado Frederick Wassef, conhecido por defender Bolsonaro e sua família em processos judiciais.
A operação recebeu o nome de “Lucas 12:2”, fazendo referência a um versículo bíblico que diz: “Não há nada escondido que não venha a ser descoberto, ou oculto que não venha a ser conhecido”.
Os mandados de busca e apreensão foram autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e estão sendo cumpridos em quatro locais, incluindo Brasília, São Paulo e Niterói.
Essa investigação está relacionada a um episódio em que uma comitiva presidencial liderada por um ministro tentou entrar no Brasil com joias avaliadas em R$ 16,5 milhões, supostamente presenteadas pelo governo da Arábia Saudita ao ex-presidente Jair Bolsonaro e à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. A Receita Federal apreendeu as joias no aeroporto de Guarulhos, uma vez que não foram declaradas adequadamente.
- O segundo pacote de joias, também de alto valor, foi trazido ao Brasil por uma comitiva do Ministério de Minas e Energia. Ambos os pacotes estão sob investigação, e as autoridades suspeitam que as joias tenham sido incorporadas ilegalmente ao patrimônio.
As joias em questão incluem itens da marca suíça Chopard, e supostamente seriam presentes do governo saudita para Bolsonaro e Michelle Bolsonaro. A legislação brasileira determina que presentes recebidos por chefes de Estado devem ser declarados e, em alguns casos, podem ser incorporados ao patrimônio público, sujeitos a processos adequados de autorização. No entanto, as joias em questão não foram tratadas conforme essas diretrizes.
A investigação em curso busca esclarecer as circunstâncias em torno do desvio de bens destinados a autoridades brasileiras e a possível prática de crimes financeiros associados.
GZH



