A investigação aponta que médicos não cumprem 60 de cada 100 horas de trabalho que deveriam ser cumpridas na unidade central em Porto Alegre.
Isso resulta em um prejuízo muito grande para os moradores de 269 municípios que dependem do serviço. A situação veio à tona quando a equipe de reportagem da RBS flagrou médicos em diferentes datas trabalhando menos horas do que deveriam.
Essa unidade é uma das maiores do Samu no Brasil.
Os médicos frequentemente fazem “escalas próprias”, onde ajustam o revezamento de forma a fazer plantões mais curtos. Isso compromete o atendimento, já que a equipe reduzida não consegue atender adequadamente a demanda.
Em situações de emergência, cada minuto é crucial, e a espera por atendimento pode ser fatal. A investigação mostrou que pacientes estão esperando por socorro por tempos prolongados devido à falta de médicos disponíveis. Em alguns casos, pacientes faleceram enquanto aguardavam ajuda.

Uma grave denúncia
Em 12 de junho, a família de Maria Isolete, de 72 anos, entrou em contato com a central telefônica do Samu de Porto Alegre. A idosa morava em São Leopoldo, na Região Metropolitana. Enquanto Maria Isolete aguardava socorro há 22 minutos, a lista de espera de moradores pedindo socorro só aumentava. Entre o início da ligação e a chegada de uma ambulância do SAMU à sua residência, se passaram 48 minutos.
- A situação levou à abertura de uma sindicância pela Secretaria Estadual da Saúde. A reportagem revelou que os médicos recebiam pelo total de horas contratadas, mesmo que não cumprissem a carga horária. Há indícios de que a chefia da unidade abonava as faltas irregularmente, alegando problemas no registro de ponto.
O coordenador médico do SAMU admitiu ter conhecimento das irregularidades. Especialistas em gestão pública e direito administrativo apontaram que as práticas irregulares poderiam configurar crimes, como falsidade ideológica e omissão de socorro.
A Secretaria Estadual da Saúde afirmou que está tomando medidas para investigar e punir os responsáveis por qualquer irregularidade comprovada. A situação levanta preocupações sérias sobre a eficácia do sistema de atendimento de emergência e destaca a importância de garantir a qualidade e a integridade dos serviços de saúde pública.
G1



