João Lemes

Língua nos dentes; o coronel entrega Bolsonaro

a confissão do coronel embute revelações que comprometem e certamente vão agravar a situação jurídica de Jair Bolsonaro.

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O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, foi libertado após assinar um acordo de colaboração premiada, revelando informações sensíveis sobre o ex-presidente.

Cid confessou ter tentado falsificar cartões de vacinação para sua família por medo de perseguições futuras. Também admitiu ter organizado a venda de dois relógios de luxo recebidos por Bolsonaro e ter entregado o dinheiro em mãos ao ex-presidente, desmentindo a versão de Bolsonaro de que desconhecia o negócio.

Cid está cumprindo exigências impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, incluindo o uso de tornozeleira. Ele afirma que “cumpria ordens” e mantém admiração pelo antigo chefe.

No caso dos cartões de vacina, Cid assumiu a responsabilidade por tentar fraudar os registros do Ministério da Saúde ao emitir documentos que atestavam que ele, a mulher e as filhas haviam recebido os imunizantes contra a covid.

Segundo o militar, o objetivo seria apenas o de ter em mãos uma espécie de salvo-conduto para ser usado caso a família fosse alvo de eventuais perseguições depois de terminado o governo.

No segundo caso, o da venda de joias, a confissão do coronel embute revelações que comprometem e certamente vão agravar a situação jurídica de Jair Bolsonaro. Cid admitiu ter participado da venda de dois relógios de luxo. E, no ponto mais sensível do depoimento, confirmou ter repassado o dinheiro obtido no negócio ao ex-presidente.

  • Foi a Polícia Federal quem descobriu a transação, realizada na surdina nos Estados Unidos, para onde Bolsonaro viajou no fim do ano passado acompanhado do ajudante de ordens e levando na bagagem dois kits de joias. Ao ser confrontado com a informação, o ex-presidente disse que desconhecia o negócio e não havia recebido nenhum dinheiro proveniente de venda dos presentes.

O depoimento de Cid desmonta essa versão. “O presidente estava preocupado com a vida financeira. Ele já havia sido condenado a pagar várias multas”, contou. A ideia de vender as peças, portanto, surgiu de uma necessidade de levantar recursos para bancar suas despesas.

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