Há pouco, o ministro da Defesa, José Múcio, atravessou o portão da casa do almirante Marcos Olsen, comandante da Marinha, após um dia inteiro de tensões entre o governo e as Forças Armadas. Tudo isso devido à revelação de que o ex-presidente Bolsonaro havia se reunido com os três comandantes para discutir um golpe de estado.
A jornalista Bela Megale e Aguirre Talento trouxeram à luz essa informação vital. As movimentações golpistas de Bolsonaro eram públicas, assim como a ambiguidade das Forças Armadas. No entanto, o tenente-coronel Mauro Cid trouxe um fato concreto: a confirmação de que os comandantes militares e o então presidente conspiraram juntos para interromper o processo constitucional. (Com dados da jornalista Míriam Leitão – O Globo)
Se esses militares que tramaram um golpe realmente forem punidos, será a primeira vez na história do país que isso acontece. Juridicamente, não há atenuantes. Essas reuniões indicam um crime, uma tentativa de golpe.
Ao assumir, o governo Lula deparou-se com um mar de indisciplina nas Forças Armadas. Os comandantes do governo Bolsonaro se recusavam a se reunir com o indicado ministro José Múcio, um ato de indisciplina flagrante. Os absurdos vistos no governo Bolsonaro são resultado do esforço cotidiano de Bolsonaro para corromper os militares. Suas lideranças se deixaram envolver em troca de poder e dinheiro. Agora, as Forças Armadas voltam a ser vistas como golpistas.
O atual comando das Forças Armadas deseja que todos os envolvidos nessa trama sejam punidos, mas precisam que o Judiciário individualize as condutas. Se isso acontecer, será um avanço, pois a História do Brasil é carente de punições a movimentos golpistas dos militares.
O golpe de Bolsonaro seria uma intervenção direta no Tribunal Superior Eleitoral, afastando ministros e anulando resultados. A Justiça Eleitoral seria a primeira vítima. Por isso, é surpreendente ver a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, atacar a Justiça Eleitoral no mesmo dia em que essa reunião foi revelada. Se o PT quer ser o representante da luta democrática, deve repensar as teses que abraça.




