por Adriana Papalia*
A recente enchente no Rio Grande do Sul desencadeou uma série de reflexões urgentes. Sim, é imperativo repensar nossa abordagem ambiental. Mas igualmente importante é examinar a corrupção sistêmica que mina diretamente nossa infraestrutura e a qualidade dos materiais utilizados em obras públicas no Brasil.
Independentemente de posicionamentos políticos, estamos enfrentando uma crise social e ambiental que exige uma análise franca e sem rodeios. A corrupção enraizada em nosso sistema resulta em um cenário em que se paga por obras bem-feitas e materiais de qualidade. E o que recebemos em troca são esses resultados lamentáveis:
Estradas que mal resistem ao uso diário, construídas sobre uma base frágil.
Pontes com cabeceiras inadequadas, propensas a colapsos devido à erosão próxima à base de apoio.
Encostas desprotegidas ao longo das estradas, aumentando também o risco de deslizamentos.
Barragens negligenciadas, sem a manutenção adequada.
Falta de sistemas de comportas nas margens dos rios para gerenciar as enchentes.
Planejamento urbano deficiente, resultando em problemas de escoamento de águas pluviais em áreas asfaltadas.
Tolerância à existência de ligações clandestinas de água e também de eletricidade em áreas impróprias.
Todas essas falhas são consequências diretas da corrupção, onde os investimentos feitos não se traduzem em resultados satisfatórios. O Brasil testemunha um cenário em que o custo de obter obras públicas e materiais de qualidade é alto. A entrega é marcada por padrões inferiores e também por projetos inadequados. Algo inaceitável em nações evoluídas e com políticos honestos, que se preocupam realmente com o bem estar da população!
Impacto reduzido
É inegável que enfrentamos condições climáticas extremas. E é evidente que muitas pessoas seriam impactadas. No entanto, se não fosse pela corrupção sistêmica, é possível que o impacto das enchentes pudesse ter sido significativamente reduzido.
Não se trata de posições políticas. Mas sim de integridade e de competência. Esta reflexão é oferecida por alguém que observa as práticas de construção de estradas e obras públicas em outros países. E vê o abismo entre o que é possível e o que é tolerado em nossa nação.
*Química industrial e MBA em Gestão Ambiental!
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Interessante falar sobre o custo que teve a ponte sobre “arroio” ali na cidade da Mata! A mesma que cedeu agora! Assim como muitas – ou todas – as obras públicas , como vc disse, pagamos um valor para termos obras de qualidade, e não recebemos. E nunca tem pessoas ou empresas que são responsabilizadas.
E segue assim….