Corrupção e infraestrutura: reflexões após a enchente no RS

1
1839

por Adriana Papalia*

A recente enchente no Rio Grande do Sul desencadeou uma série de reflexões urgentes. Sim, é imperativo repensar nossa abordagem ambiental. Mas igualmente importante é examinar a corrupção sistêmica que mina diretamente nossa infraestrutura e a qualidade dos materiais utilizados em obras públicas no Brasil.

Independentemente de posicionamentos políticos, estamos enfrentando uma crise social e ambiental que exige uma análise franca e sem rodeios. A corrupção enraizada em nosso sistema resulta em um cenário em que se paga por obras bem-feitas e materiais de qualidade. E o que recebemos em troca são esses resultados lamentáveis:

Estradas que mal resistem ao uso diário, construídas sobre uma base frágil.

Pontes com cabeceiras inadequadas, propensas a colapsos devido à erosão próxima à base de apoio.

Encostas desprotegidas ao longo das estradas, aumentando também o risco de deslizamentos.

Barragens negligenciadas, sem a manutenção adequada.

Falta de sistemas de comportas nas margens dos rios para gerenciar as enchentes.

Planejamento urbano deficiente, resultando em problemas de escoamento de águas pluviais em áreas asfaltadas.

Tolerância à existência de ligações clandestinas de água e também de eletricidade em áreas impróprias.

Todas essas falhas são consequências diretas da corrupção, onde os investimentos feitos não se traduzem em resultados satisfatórios. O Brasil testemunha um cenário em que o custo de obter obras públicas e materiais de qualidade é alto. A entrega é marcada por padrões inferiores e também por projetos inadequados. Algo inaceitável em nações evoluídas e com políticos honestos, que se preocupam realmente com o bem estar da população!

Impacto reduzido

É inegável que enfrentamos condições climáticas extremas. E é evidente que muitas pessoas seriam impactadas. No entanto, se não fosse pela corrupção sistêmica, é possível que o impacto das enchentes pudesse ter sido significativamente reduzido.

Não se trata de posições políticas. Mas sim de integridade e de competência. Esta reflexão é oferecida por alguém que observa as práticas de construção de estradas e obras públicas em outros países. E vê o abismo entre o que é possível e o que é tolerado em nossa nação.

*Química industrial e MBA em Gestão Ambiental!

LEIA TAMBÉM: Santiago lança campanha para ajudar famílias atingidas pela enchente na região

Participe da nossa Comunidade no WhatsApp

1 COMENTÁRIO

  1. Interessante falar sobre o custo que teve a ponte sobre “arroio” ali na cidade da Mata! A mesma que cedeu agora! Assim como muitas – ou todas – as obras públicas , como vc disse, pagamos um valor para termos obras de qualidade, e não recebemos. E nunca tem pessoas ou empresas que são responsabilizadas.
    E segue assim….

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui