Editorial NP: “Faz pra mim e pra Laura”

A pergunta que fica é: quantas vidas poderiam ter sido poupadas se, em vez de negar a vacina, Bolsonaro tivesse simplesmente liderado pelo exemplo?

Publicado em

Ninguém entende por que Bolsonaro negou a vacina, mas falsificou o cartão

(João Lemes) A postura do ex-presidente Bolsonaro em relação às vacinas contra a covid foi, desde o início, motivo de polêmica e preocupação. Durante seu governo, ele se recusou a tomar o imunizante e desencorajou a vacinação em declarações públicas, o que pode ter contribuído para que muitas pessoas seguissem seu exemplo e deixassem de se proteger contra o vírus. O resultado pode ter sido a morte de muitos.

No entanto, a recente revelação de que ele teria falsificado seu cartão de vacina para viajar ao exterior escancara uma contradição difícil de justificar.

Por que recorrer a um documento falso

Se Bolsonaro realmente acreditava que a vacina não era necessária, por que recorrer a um documento falso para comprovar que estava imunizado? O episódio levanta questões éticas e políticas graves, pois demonstra que, quando conveniente, ele próprio reconhecia a importância do imunizante – ainda que apenas para cumprir exigências internacionais.

Além do mais, reforça a percepção de que sua gestão lidou de maneira irresponsável com a pandemia, priorizando discursos ideológicos em vez de medidas eficazes para salvar vidas.

Agora, com a delação de Mauro Cid e as investigações da Polícia Federal trazendo novos detalhes sobre o caso, a sociedade se depara com evidências de que a postura negacionista do ex-presidente pode ter sido, em parte, uma estratégia política, e não uma convicção genuína. A pergunta que fica é: quantas vidas poderiam ter sido poupadas se, em vez de negar a vacina, Bolsonaro tivesse simplesmente liderado pelo exemplo?

GIRO DA NOTÍCIA – Delação de Cid – O ex-ajudante de ordens Mauro Cid disse que Bolsonaro solicitou que fosse emitido um cartão de vacinação falsificado para ele e para sua filha, Laura Bolsonaro. Durante o depoimento, Cid revelou como o ex-presidente pediu diretamente a fraude: “Foi quando eu falei com o presidente também. Ele: ‘faz pra mim também’. Tudo pra ele, pedindo pra ele”, declarou Cid.

No entanto, quando um coronel que estava ciente da situação tomou conhecimento do pedido, reagiu imediatamente: “Tá maluco? Pode fazer essa p** não”. Em seguida, pegou o cartão do bolso do presidente e o rasgou.

A Polícia Federal questionou Cid se o documento foi impresso. Ele confirmou. Os investigadores perguntaram diretamente se Bolsonaro havia solicitado um cartão para ele e para sua filha. Cid confirmou: “Faz pra mim e pra Laura”.

VEJA TAMBÉM: Alunos das escolas municipais terão livro didático sobre Santiago

Acompanhe o NP pelas redes sociais:

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

184.758

132,618FãsCurtir
73,451SeguidoresSeguir

Notícias Recentes

Falha em gerador provoca morte de 60 mil aves no Paraná

Engenheiro Beltrão - PR - Cerca de 60 mil aves morreram em dois aviários...

Estudantes acompanham júri em Jaguari

Ele respondeu por tentativa de homicídio qualificado, com emprego de meio cruel e que...

19º GAC comemora 115 anos

Santiago, RS - O 19º Grupo de Artilharia de Campanha (19º GAC), conhecido como...

Vereador pede desculpas por fala sobre nordestinos

Itaqui, RS - (Região de Uruguaiana) - O vereador Fernando Melo Silveira, conhecido como...

Leia Também

Falha em gerador provoca morte de 60 mil aves no Paraná

Engenheiro Beltrão - PR - Cerca de 60 mil aves morreram em dois aviários...

Estudantes acompanham júri em Jaguari

Ele respondeu por tentativa de homicídio qualificado, com emprego de meio cruel e que...

19º GAC comemora 115 anos

Santiago, RS - O 19º Grupo de Artilharia de Campanha (19º GAC), conhecido como...