Como funciona uma “maternidade” reborn

Cada boneca pode levar até 10 dias para ficar pronta e custa a partir de 1,5 mil.

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Alvorada (RS) – Na garagem de casa, a ex-professora Jhosi Silva criou uma “maternidade” onde mais de 400 bebês reborn já “nasceram”. Apesar da aparência realista, eles são feitos de vinil macio, com detalhes como veias, dobrinhas e até cabelo implantado fio a fio. Cada boneca pode levar até 10 dias para ficar pronta e custa a partir de 1,5 mil.

O ateliê virou negócio e sustento da família. A maioria das vendas acontece pela internet, com clientes em todo o Brasil e até fora do país. A produção é artesanal, feita com kits importados, pintura detalhada e personalização conforme o gosto do cliente — como cor dos olhos, tipo de cabelo e sinais de nascença. Algumas encomendas são feitas para parecerem com filhos, netos ou pessoas queridas.

Negócio em família e muito afeto envolvido

Outra artista, Priscila Boniberg, começou no ramo por influência da filha, que queria uma boneca realista. Hoje, ela comanda o negócio em Porto Alegre, já produziu mais de 500 bonecas e cobra até R$ 4,2 mil pelos modelos mais personalizados.

Quem compra?

O público é diverso: crianças, colecionadores, pais que perderam filhos, avós que vivem sozinhos ou até pessoas que nunca tiveram bonecas na infância. Para muitos, as bonecas têm valor emocional e decorativo. Algumas famílias compram para brincar junto com os filhos.

Popularização e polêmicas

Com vídeos virais nas redes sociais, os bebês reborn ganharam visibilidade — e também críticas. Muitas encenações exageradas geram confusão e preconceito com as artistas. Jhosi explica que não leva bonecas a hospitais nem faz atendimentos como se fossem reais — o conteúdo exagerado que circula por aí, segundo ela, é feito apenas para gerar audiência.

Apesar disso, aumentou a procura por cursos para aprender a arte reborn, que Jhosi também oferece. Por outro lado, ela tem enfrentado ataques virtuais e comentários maldosos nas redes.

Preconceito e machismo

A psicóloga Arieli Groff lembra que, assim como homens colecionam bonecos ou jogam videogames, mulheres também têm o direito de se expressar e se conectar emocionalmente com bonecas — e isso não deveria ser motivo de crítica ou piada.


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