Como atuava o oficial do RS acusado de tramar prisão de ministros do STF

O tenente-coronel Hélio Lima era da inteligência do Exército e escreveu plano que previa prender Moraes em caso de suposta fraude eleitoral

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Brasília – O tenente-coronel Hélio Ferreira Lima, preso há nove meses, confirmou ter elaborado um plano de “neutralização” de autoridades após a vitória do presidente Lula, em 2022. Ele diz que agiu dentro da inteligência militar, preparando cenários para o caso de fraude nas eleições, e não por adesão a um plano golpista. No entanto, o documento, encontrado em seu pen drive pela Polícia Federal, previa até a prisão do ministro Alexandre de Moraes e falava em restabelecer a ordem por meios não constitucionais.

A atuação no Sul e o plano secreto

Na época, Hélio Lima trabalhava na 6ª Divisão do Exército, em Porto Alegre. Seu papel era justamente antecipar possíveis cenários para o comando. Ele escreveu um documento que previa ações entre 2021 e 2023, incluindo a “neutralização” de Moraes. Depois, essas ideias foram incorporadas ao plano Punhal Verde Amarelo, cujo principal autor, o general Mário Fernandes, também está preso. O material, porém, não previa nenhuma ameaça ligada à direita, o que levantou suspeitas na Procuradoria-Geral da República.

Ligação com outros acusados

O oficial confirmou encontros com outros envolvidos, como o tenente-coronel Rafael Martins (acusado de levantar dinheiro para levar manifestantes a Brasília) e Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Também esteve na casa de Braga Netto, ex-ministro da Defesa. Apesar disso, diz que a ida a Brasília foi apenas para assuntos pessoais. Ele insiste que não despachou o plano para superiores e que o documento era apenas um exercício de inteligência.

Suspeita de tentativa de envolver o Exército

Lideranças do Exército ouvidas pela reportagem consideram que a postura de Lima tenta criar um vínculo institucional com ideias golpistas, buscando apoio interno. Um general disse que isso faz parte de uma estratégia de defesa: alegar que agiu sozinho, de forma técnica, e que a análise era apenas uma hipótese. O comandante da 6ª Divisão à época era o general Alcides Valeriano, que teria orientado Lima a priorizar o esvaziamento dos acampamentos golpistas no Sul. O Exército, oficialmente, não reconhece o conteúdo como parte da doutrina militar.

Hélio Ferreira Lima (à direita) presta depoimento sem farda após determinação do ministro Alexandre de Moraes.
Reprodução / Youtube / TV Justiça

Fonte: GZH.

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