Estado RS- A Polícia Federal do RS já abriu 71 investigações sobre abuso sexual infantil envolvendo imagens desde o início de 2025 até 9 de julho. Um dos casos mais recentes levou à prisão de um homem de 62 anos, em maio, no bairro Petrópolis, em Porto Alegre. Ele armazenava conteúdo de abuso em dispositivos eletrônicos.
Os números refletem uma tendência de crescimento nas investigações ao longo dos últimos anos. Em 2022, foram 44 inquéritos. No ano passado, esse número subiu para 127, um aumento de 188%. Só de 2023 para 2024, o crescimento foi de 57%. Embora a PF não divulgue dados por semestre, o avanço é claro.
O delegado Davi Jacobs, responsável pela Delegacia de Combate a Crimes Cibernéticos no RS, explica que a especialização das equipes e o uso de novas tecnologias ajudam a identificar mais criminosos que se escondem por trás de telas.
— Hoje, 70% das investigações da nossa delegacia envolvem abuso sexual infantil. Isso acontece aqui no Rio Grande do Sul e em todo o Brasil — afirma o delegado.
Crimes graves e variados
As investigações mostram que os criminosos não têm perfil único: variam em idade e classe social. Em muitos casos, o que começa como suspeita de armazenamento de imagens revela algo ainda mais grave — a produção do conteúdo pelo próprio investigado, que costuma registrar e compartilhar os abusos.
— Às vezes, encontramos uma imagem e, investigando mais a fundo, descobrimos que o suspeito é quem está abusando da criança. Isso torna o crime ainda mais grave — relata Jacobs.
Os criminosos usam sites de compartilhamento de arquivos, jogos online e até vendem pacotes com imagens. O conteúdo circula globalmente, o que exige cooperação internacional.
Cooperação com a Interpol
A Polícia Federal mantém parceria com a Interpol para rastrear essas imagens. O principal objetivo é localizar e resgatar as vítimas dos abusos.
— As imagens circulam no mundo todo. A Interpol nos ajuda a identificar de onde elas vêm, em que cidade, em que país. Já conseguimos resgatar vítimas com base nessas investigações — explica o delegado.
Alerta aos pais
Jacobs também chama atenção para os riscos que crianças e adolescentes enfrentam no ambiente online. Em muitos casos, os abusadores se passam por amigos virtuais, ganham a confiança das vítimas e as convencem a enviar fotos íntimas, depois usam essas imagens para ameaçá-las e extorqui-las.
— Antigamente, o perigo era na rua. Hoje, está dentro de casa, nos celulares. Os pais precisam saber com quem os filhos conversam e o que estão fazendo na internet — alerta.
Dados da Polícia Civil também mostram alta
Segundo a Secretaria da Segurança Pública do RS, a Polícia Civil também tem registrado aumento nesse tipo de crime. Nos primeiros seis meses de 2025, foram 49 ocorrências de pornografia infantil, contra 45 no mesmo período de 2024 e 15 em 2022.
Como proteger as crianças na internet
- Estabeleça regras de uso da internet e aplicativos
- Evite postar fotos de crianças que possam ser mal utilizadas
- Oriente a não compartilhar informações pessoais
- Ensine a recusar contato com estranhos
- Evite câmeras conectadas à internet em locais íntimos da casa
- Crie um ambiente de confiança para diálogo
- Monitore o uso de celulares, tablets e computadores
- Use ferramentas de controle parental
Fique atento a sinais de alerta
- Mudanças de comportamento e isolamento
- Desinteresse por atividades antes prazerosas
- Uso secreto ou excessivo de redes sociais
- Queda no desempenho escolar
- Uso de vocabulário incomum para a idade
- Alterações no sono e comportamento agressivo
Como denunciar
- Comunica PF (site oficial da Polícia Federal)
- 0800 642 6400 – Divisão da Criança e do Adolescente da Polícia Civil
- 181 – Disque Denúncia
- 197 – Polícia Civil
- 190 – Brigada Militar
- Disque 100 – Direitos Humanos
- Safernet Brasil – Central Nacional de Denúncias
- Ministério Público-RS (Porto Alegre) – (51) 99599-8869 (WhatsApp)
- Juizado da Infância e Juventude (Porto Alegre) – (51) 3210-7373
Proteger a infância é dever de todos. Denuncie.
Fonte: GZH
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