Uma em cada 50 pessoas vive com HIV no RS, aponta pesquisa inédita

Esse levantamento é o primeiro do tipo no Brasil, com testagem sorológica em larga escala.

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Estado RS – Um novo estudo feito no RS revelou um dado preocupante: cerca de uma em cada 50 pessoas no Estado vive com o vírus HIV. A pesquisa, realizada pelo Hospital Moinhos de Vento, mostra que 1,64% da população testada tem o vírus — número bem acima do limite de 1% recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para considerar a situação sob controle.

Esse levantamento é o primeiro do tipo no Brasil, com testagem sorológica em larga escala. Ao todo, foram entrevistadas e testadas 8 mil pessoas com mais de 18 anos em 56 cidades gaúchas. Ao contrário dos dados oficiais, que contam apenas os casos registrados nos serviços de saúde, essa pesquisa foi até as pessoas, revelando infecções que ainda não tinham sido detectadas.

Segundo a médica e pesquisadora Eliana Wendland, do Hospital Moinhos de Vento, muitos dos infectados nem sabiam que tinham o vírus. Isso mostra a importância de ampliar a testagem para permitir o início precoce do tratamento.

Além do HIV, o estudo encontrou 558 casos de sífilis, 26 de hepatite B e 56 de hepatite C. As regiões Metropolitana e Central do RS foram as que apresentaram os maiores índices de infecção.

Porto Alegre lidera em mortes por aids

Dados da Secretaria Estadual da Saúde (SES) mostram que Porto Alegre tem o maior número de mortes por aids entre as capitais do país — quase quatro vezes acima da média nacional. O RS também está entre os cinco estados com mais casos de HIV. Em 2024, até 16 de dezembro, foram registrados 1.184 novos casos. Em 2023, foram 2.980.

No mundo todo, cerca de 40,8 milhões de pessoas vivem com HIV, segundo o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/aids (UNAIDS). A taxa global é de 0,7% da população adulta.

O que pode ser feito

Para enfrentar o problema, os especialistas apontam algumas soluções importantes: aumentar a testagem, promover o sexo seguro com o uso de preservativos e ampliar o acesso à PrEP (profilaxia pré-exposição), um remédio que ajuda a prevenir a infecção.

O HIV pode ficar anos no corpo sem causar sintomas, o que facilita sua transmissão. Mas, com diagnóstico precoce e tratamento adequado, é possível controlar o vírus e impedir o avanço para a aids.

Ações do Estado

A SES afirma que os altos índices no RS estão ligados a fatores culturais, sociais e educacionais. Entre as ações de combate, estão o programa PrevineRS, focado na prevenção e no cuidado com a população, e o projeto Geração Consciente, que promove a saúde e os direitos sexuais por meio de atividades educativas.

A Secretaria também tem ampliado a oferta de testes rápidos, disponíveis em todas as unidades básicas de saúde. Além disso, está com edital aberto para organizações da sociedade civil interessadas em desenvolver projetos de prevenção e promoção da saúde sexual.


Fonte: GZH

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