(João Lemes) A morte do produtor rural Marcos Nornberg, em Pelotas, escancara a ilusão do gatilho. A crença de que uma arma garante segurança segue cobrando vidas. Um erro de informação, medo e surpresa bastaram para transformar uma situação tensa em tragédia. Um trabalhador sem antecedentes morreu ao reagir achando que se defendia.
No Paraná, o roteiro foi ainda mais claro. Um caminhoneiro discutiu em uma conveniência, foi em casa buscar um revólver e voltou só para matar. Executou um casal de seguranças e hoje cumpre 27 anos de prisão. Em todos os casos, a arma não protegeu. Apenas acelerou o pior.
E quem acha que está sempre pronto para reagir também se engana. Em Canoas, uma policial saía de casa quando foi surpreendida por criminosos. Sua arma e até a viatura se foram. O episódio mostra como a surpresa anula qualquer preparo.
A vida real não dá tempo de pensar, calcular ou agir como em teoria. A violência acontece em segundos. A ideia de resistir sempre é fantasia. Enquanto insistirmos que mais armas significam mais segurança, seguiremos colecionando erros fatais e histórias que poderiam ter terminado diferente.
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