Crueldade gera investigação por obstrução da Justiça

O caso do Orelha expõe violência extrema e tentativa de coagir testemunhas

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Florianópolis – SC – A morte do cão comunitário Orelha, mascote da Praia Brava, revelou não apenas um episódio de extrema crueldade contra um animal, mas também uma possível tentativa de obstrução da Justiça. As investigações apontaram quatro adolescentes como autores das agressões. Após, a polícia identificou três adultos suspeitos de coagir testemunhas durante a investigação, todos familiares dos adolescentes apontados como autores das agressões.

A violência que levou à morte do animal

Orelha era cuidado coletivamente por moradores da Praia Brava e fazia parte da rotina da comunidade. O desaparecimento foi percebido no dia 16 de janeiro e, dias depois, o cão foi encontrado com ferimentos graves, em estado de sofrimento intenso. As lesões indicavam agressões severas, incompatíveis com uma recuperação.

A decisão pela eutanásia

Encaminhado a uma clínica veterinária, o animal recebeu atendimento emergencial, mas o quadro era irreversível. Diante da gravidade das lesões e da dor extrema, a equipe médica optou pela eutanásia para interromper o sofrimento do cão, decisão que gerou comoção e revolta entre moradores e defensores da causa animal.

A identificação dos adolescentes

As investigações apontaram quatro adolescentes como autores das agressões. Dois deles foram alvos de mandados de busca e apreensão em Florianópolis. Os outros dois estão fora do país, em viagem previamente programada, segundo a polícia. Aparelhos eletrônicos e celulares foram apreendidos e serão submetidos à perícia.

A suspeita de obstrução da Justiça

Com o avanço do inquérito, a Polícia Civil identificou três adultos suspeitos de coagir testemunhas para interferir no andamento do processo judicial. A prática é tipificada como coação no curso do processo, prevista no artigo 344 do Código Penal.

A operação policial

Durante a operação realizada nesta segunda-feira (26), mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas residências dos adolescentes e de seus responsáveis legais. Em um dos locais, os agentes buscavam uma arma supostamente usada para ameaçar uma testemunha, que não foi localizada. No entanto, houve apreensão de entorpecentes no imóvel.

A apuração sobre conduta policial

Um dos investigados por coação é policial civil e pai de um dos adolescentes. A Polícia Civil informou que a conduta está sendo analisada internamente. A delegada responsável pelo caso afirmou que não há indícios de participação de agentes públicos no crime de maus-tratos, mas a denúncia de interferência segue sob apuração.

A repercussão na comunidade

A morte de Orelha gerou forte mobilização social em Florianópolis, com protestos e manifestações pedindo justiça. Em nota, a Associação de Moradores da Praia Brava destacou que o cão era símbolo da convivência comunitária e do cuidado coletivo com os animais.

O caso segue sob investigação, tanto pelos maus-tratos que levaram à morte do animal quanto pela possível tentativa de obstrução da Justiça. (GZH)

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