Editorial – NP – Durante anos, os dados que chocavam era simples: metade das crianças de até 12 anos no Brasil já tinha celular próprio. Isso era ontem. Hoje, o cenário é outro e mais preocupante. O acesso ao celular chegou mais cedo. Em muitos lares, antes dos 10 anos. Em alguns, antes dos oito.
O celular virou a principal porta de entrada para a internet. Muitas vezes, a única. Ele está no quarto, na mochila, na cama, no bolso. Está sozinho com a criança. Sem filtro. Sem pausa. Sem adulto olhando junto. O que antes era exceção virou rotina. E rotina molda comportamento.
As pesquisas mais recentes mostram um ponto em comum: não se trata de demonizar tecnologia. O problema é o uso precoce, contínuo e sem limite. Crescem os relatos de dificuldade de concentração, sono bagunçado, irritação, ansiedade e exposição a conteúdos que a criança não tem maturidade para lidar. Não é causa única. Mas é fator de risco claro.
A pergunta que fica não é se a criança sabe mexer no celular. Ela sabe. A pergunta é outra: quem está educando esse uso? Quem define horário, conteúdo, pausa e consequência? Quem está presente de verdade? Porque entregar um celular sem regra não é autonomia. É abandono disfarçado de modernidade.
O debate que avança no mundo inteiro, e agora no Brasil, com regras como o ECA Digital, nasce desse cenário. Não é censura. É proteção. Infância não é fase para excesso. É fase para limite, convivência, tédio criativo e vínculo humano.
Tecnologia é ferramenta. Criança não é experimento.
E você? Está criando um filho ou apenas entregando uma tela para ele se virar sozinho?
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