(por João Lemes) O STF já passou do ponto. Ele foi condenado, pegou 27 anos, a turma toda caiu junto, todos presos. Já cumpriu um bom tempo. Manter o ex-presidente na cadeia, do jeito que está, não entrega mais justiça. Entrega tensão. A mensagem já foi dada. Insistir agora é esticar a corda e brincar com fogo.
O Brasil já viu esse filme. Figura pública de peso nacional definhando em cela vira símbolo, cria mártir e espalha ódio. Não pacifica, inflama. Preso é preso, seja na cadeia ou em casa. A diferença é o tamanho do estrago político e social que isso causa. E hoje o estrago é maior do que o ganho.
Há precedentes claros. Collor de Mello, condenado por corrupção escancarada, está em prisão domiciliar por idade e saúde. Bolsonaro não foge da regra. É ex-presidente, líder nacional, goste-se ou não dele. Não é anistia, não é perdão, não é absolvição. É apenas prisão domiciliar. A pena segue valendo.
A saúde pesa – O laudo da Polícia Federal é cristalino. Bolsonaro é um homem doente. São sete doenças crônicas já comprovadas: pressão alta, obesidade, apneia do sono grave, aderências abdominais das cirurgias pós-facada e outros problemas associados. Soma-se a isso sinais neurológicos que aumentam o risco de quedas. Ele já caiu dentro da cela, já teve traumatismo na cabeça. Quantos outros presos já saíram por muito menos? Por uma gripe, por um mal-estar, por risco potencial.
O STF também está em jogo
O Supremo vive seu momento mais desgastado. As sombras de falcatruas e decisões questionáveis já rondam o prédio faz tempo. Se ainda resta um fiapo de credibilidade institucional, essa decisão ajudaria a preservar. Ano eleitoral, país rachado, nervos à flor da pele. Cadeia não pode virar palco, nem o STF pode virar provocador.
Mandar o ex-presidente para casa não é fraqueza. É inteligência. É contenção de danos. É respeito mínimo à dignidade de quem já foi chefe de Estado. Preso continuará preso. Só muda o endereço. E, às vezes, mudar o endereço é justamente o que evita uma explosão maior.
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