São Francisco de Assis – RS – (João Lemes) – A nossa evolução, curiosamente, parece estar voltando para trás. Lá nos primórdios, os neandertais já cuidavam dos seus. Pesquisas mostram ossos colados, fraturas curadas graças ao cuidado do grupo. Depois veio o homo sapiens, que pela teoria da eliminação, acabou ficando sozinho na Terra. Eliminou outros humanos e seguiu adiante. Evoluímos em tecnologia, mas nem sempre em empatia. Cuidamos dos nossos familiares, é verdade. Mas ainda falhamos muito, principalmente quando se trata de proteger mulheres e os mais vulneráveis.
Primos que lembram quem somos
O homem não evoluiu do macaco. Mas é parente próximo. Primo distante. E talvez por isso a dor de ver um bugio ferido ou recolhido mexa tanto com as pessoas. Em São Chico, querência do bugio, o Muchila virou símbolo disso. Era conhecido, querido, não era agressivo. Circulava entre as pessoas, acostumado à presença humana. Não estava doente, segundo quem convivia com ele. A denúncia levou o Ibama a recolher o animal. A cidade reagiu.
Revolta e responsabilidade
A polêmica cresceu porque São Francisco de Assis carrega o bugio até no apelido (Querência do Bugio). Mexer com um deles é mexer com a identidade da cidade. Houve atrito com família que ajudava a cuidar do animal. Fala-se em protesto. A revolta é visível. Mas é preciso deixar claro: a prefeitura não determinou recolhimento algum. Foi decisão exclusiva do Ibama, que até agora não explicou de forma clara por que levou o Mochila, enquanto dezenas de outros bugios seguem soltos na cidade. Quando falta explicação, sobra indignação. E talvez essa mobilização mostre que estamos, sim, reaprendendo algo antigo: cuidar dos nossos primos também é cuidar de nós mesmos.
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